sábado, 14 de julho de 2018

Overdose news

Eu já vi muita gente atravessar o espelho
E nunca mais conseguir voltar a enxergar.
Inchadas coronárias de um pobre coração
Que queima, que arde, que respira gelado.

Foram-se cabelos ventilados pelo navegar
De todas as faces de uma casa de espelhos
Onde um homem procurava a sua saída
Isso sempre com os seus olhos vermelhos.

Vi tantas pessoas voltarem do lado de lá
Permanecendo atentas para não chorar
E tantas outras se perdendo na estupidez
De si mesmo. E na insensatez do seu errar.

Constatamos muita gente melhorando do mal
Outras ditas ditosas se acabando em preconceitos
Sem se dignarem a estender só uma mão amiga,
Prontas para julgar qualquer um sem pena ou dó.

E agora os donos da verdade confundem e matam
Fascistas como maiores esquerdistas dessa ficção
Coisa que já nem existe mais; perdeu toda a razão,
Por que ninguém sabe se é mesmo verdade ou não.

Só porque não se olharam de verdade no espelho...
Sequer atravessaram. Se viram, foi em vão.



(Cristiano Jerônimo - 14.07.2018)

segunda-feira, 2 de julho de 2018

buraco negro de coração




Eu sinto quando meu peito sangra
cada gota que escorre pelas mãos
o sorriso, obrigado, às vezes esbanja
o buraco negro desse nosso coração.

aí você vai embora! Então desaparece!
vai embora e eu quero mesmo encontrar.
mas você foi embora! Aí foi se embora.
e eu fui atrás para tentar conversar.

e nas veredas irrigadas do meu coração,
pulaste a cancela e eu me apaixonei;
correstes no curral rindo e cantando,
eu sempre olhando e te esperando,
na ânsia de te ter e a gente acasalar.

mas você vai embora! Insiste e vai embora!
você vai e eu quero ficar para ver.
você vai voltar. Embora... Embora...
eu vá deixar para sempre de lembrar de você.



(Cristiano Jerônimo – 01.07.2018)

sábado, 23 de junho de 2018

São e só (do passarinho)


Eu vejo o São João aqui sozinho
Percebo que se vai o meu caminho
Eu reajo e ajo, como um passarinho,
Cujas as asas lhe levam pra voar.

Vai saber onde essa estrada vai dar
Vai saber quando essa trilha chegar
Avisando e enganando, sorrindo e cantando;
Todo mundo diz que a rosa tem espinhos.
Tu recusas meu carinho e eu quero te amar.

Todo mundo diz que as coisas vão mudar;
Vai levando sem rancor quando esquece
Sente calafrios quando o mundo aparece
E ainda me diz que não dá pra engavetar.

Tudo isso é egoísmo e muito orgulho
Porque a vida se trata de um mergulho;
Mesmo aqueles mudos irão reclamar,
Porque os cegos sentem mas falam tudo
E nós "surdos-mudos" precisamos falar.





(Cristiano Jerônimo – 23.06.2018)


segunda-feira, 4 de junho de 2018

Um cangaço de afeto



Sede na subida da serra,
Água de cabaça pra beber.
E a capemba do caldeirão
Vem do pé de coco catolé.

Esses brejos de altitudes...
Deviam descer para as caatingas.
Esses brejos de altitudes...
Frios, mata densa de um bioma.

Olhos d’agua na estrada
Grota com água corrente
Mentira que era rachado
E seco que só na televisão.

É tão curta essa distância
Que a gente anda calado.
Aprendemos na infância
A nunca ficar de dois lados.

Esses brejos de altitude...
Deviam descer para a caatinga.
Esses brejos de altitude...
Frios, mata densa de um bioma.



(Cristiano Jerônimo)

Não mais era (E já era...)


(Aroldo Carvalho - PB)



Ela estava triste e ficou muito ‘feliz’.
Tudo começou com a Fluoxetina,
A do milagre, felicidade, no Brasil.
Prozac! Com só um pouco de purpurina
E o cloxazolam, diazepan e Rivotril.
O Diempax, Neozine e mais Ritalina.
Um pouco de uísque e cocaína
E está decretado o projeto de morte.

(Coquetel de vida... Coquetel da sorte...)

A venlafaxina vem fazer sua ‘limpeza’
Com alprazolan para manter a calma
Com omeprazol no estômago, beleza.
Chega paroxetina para debelar o fogo.

Nada debela o fogo daquela menina
Que não virou mulher com a cocaína
Deste todo, o abuso tão precoce;
Chupando balas e lambendo doces
Numa rave desvairada e distante
Um Woodstock sem ideiais e morno
Que não! De tão frio parecia morto.
E já era.

(Coquetel de vida... Coquetel da sorte...)

O mais feliz é a própria dopamina,
Comer e andar para a serotonina
Malhar para ficar sempre legal.
De bem com a vida e sereno...
Continuar vendo os venenos
Que escorrem no cotidiano
A boca dos hipócritas falando
E a gente equilibrado respeitando
Tolerantemente.

Até os

Antagonistas opiáceos
Dependentes de opiáceos
Abstinência de opiáceos
Opiácios agora saem pelos canos.
E não entram mais.


Aroldo Carvalho – Poeta e engenheiro pernambucano.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Bugados da olaria


Tive que ver tudo sentado
Entre as árvores da mente
Com todas as ramificações
Possíveis e imagináveis...
Como fecundar sementes
Saber esquivar os espinhos
Da jurema preta presente.

É que os dois polos do mundo
Travaram nervosos e bugados
(Servidor em estado de greve)
O satélite explodiu a nuvem
Do grande armazenamento
Do nosso enorme pensamento.

Digitalmente incorreto, ora.
Mas é o que se tem pra agora
Para o entardecer e cair do dia
E também para a incerta aurora
Sermos refeitos sem tanta demora
Do barro do forno quente da olaria



(Cristiano Jerônimo – 25.05.2018)

terça-feira, 22 de maio de 2018

amor & luta




Do alto da minha solidão
Eu olho para cima e vejo
O nosso amor e o coração.

Eu olho pros teus olhos
                               e não mais me vejo
Eu olho para os teus lábios
                               e não tem mais beijos.

Deitado e cansado,
Até a manhã despertar
Eu olho em você
A uniformidade fria.

Difere do papo desta cidade;
Onde há muitos filhos da pátria
E também muitos filhos da puta
Se engalfinhando nas disputas
Por uma generosa transação
E o dinheiro que do povo emana
Entrando pelo ralo da corrupção;
Vai e te afastas antes que mates
                                            mais.

Cavalo pronto e disposto,
Até o arrebol do entardecer,
Eu olho vocês
Suas uniformidades frias
Muito longe da cidade vazia.

Queríamos nós, ajudar.
Com agricultura e dinheiro,
Pecuária, bode e galinhas.

Mas só nos deram auxílio estiagem
Com o bolsa família
Mais o auxílio moradia.
Tem gente até que não quer
Trabalhar nem um dia.
Pois, no final, todos ajudamos
a pagar a conta eleitoral da covardia.

                                                                
                                                                (Cristiano Jerônimo – 19, 20 e 21.05.2018) | Recife | PE | BR | 





quinta-feira, 17 de maio de 2018

A tal lótus ideal



ela nem imagina o que se deu
o seu cara novamente morreu
e eles nem imaginaram bem
como é triste ver sofrer
                  um outro alguém...

também...

como é triste sofrer no espelho
morrer no banheiro ou no sofá
avançar sempre o sinal vermelho
nunca ser triste nem pensar em chorar.

a escola de samba ou a nação
o alvirrubro ou o leão
as turbinas e as bicicletas vão
cada uma ao lado dos seus ideais.

ela sabe tudo o que aconteceu
e traz à luz uma criança linda,
novos focos mudam que brilham
e permite-nos nos reconstruirmos.

e deixa ser visível do que somos capazes
de fazer quando esquecemos que algo
está nos registrando num tempo real,
quando esquecemos que não estamos sós.



(Cristiano Jerônimo – 17.05.2018)



segunda-feira, 14 de maio de 2018

Você consegue se amar


Parece amor, mas dói
Como o cupim que rói
Tudo o que é madeira,
Sem resistência nem lei -
Pensando que é besteira.

Propõe a loucura
Cobra a razão
Acha tudo bonito
Não assiste televisão.
De vento, de nada,
De vida atrapalhada.

Cobra sobriedade
Logo aqui nesta cidade
Eu não consigo por inteiro
Sempre vou ao banheiro
Suco quente da cerveja gelada
De vez em quando voo na calada.

Sem a mente turbulenta.
Pra saber o que é gostar,
Senta, tenta e aguenta!
Você consegue se amar...


(Cristiano Jerônimo – 14.05.2018)

terça-feira, 8 de maio de 2018

O mato ensina



Já peguei tromba d’água
Fui para trás das anáguas
Debaixo da saia da minha avó.

Também vi tudo seco e perdido,
Com cinco anos, no inverno,
Estava tudo renascido e por si só.

Vi feijão se perder pelo sol e pela chuva
Vá entender...
Água demais e seca demais matam.

Já carreei com as meninas
Numa junta de bois mansos
Nas ladeiras e remansos
Até o Riacho de Cima.

O orgulho do carreiro
É ter seus bois felizes
Já a alma do vaqueiro
Bota as moças pra dançar.



(Cristiano Jerônimo – 08052018)



Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...