sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Em dois

‘Tava’ ali no prédio
Espiando na tela
Quem eu era
Ainda no colégio.

Apareceu em rede
E me tirou do sério
Matou a minha sede
Aplacando esse tédio.

Indubitável beleza
De mulher menina,
Que pula feito gato
E some na esquina.

Aparece para mim
Outra vez e assim
Divide a felicidade,
Repartida em dois.


(Cristiano Jerônimo – 17.02.2017)

Eles não existem

O sangue que sangra frio
Num corpo de calafrios
E os clarins dos meus sinais
São os jardins das capitais.

O sangue que é transparente
É de barata, não é de gente...
A crueldade dos mouros
E a brabeza dos touros.

São lembranças de sangue
Exemplos de perdão, paz
Sem resultados no Sertão
E em Gaza, na Palestina.

Tristes homens que duelam
Sob a arrogância que exibem
Não têm outra razão revelam
Que na verdade não existem.


(Cristiano Jerônimo – 17.02.2017)



terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Dentro de mim


Nada encontrei
E mais procurei
Estava e não sabia
Nada adianta o que seguia.

Não consegui achar
No que a vida é uma procura
Eu me sirvo da loucura
Para poder moderar.

Estava lá e eu não via
Pelos cantos perseguia
Mas nada conseguia
Nem mesmo um olhar.

Mas estava lá...
Tão simples assim
Porque na verdade
Estava dentro de mim.



(Cristiano Jerônimo – 31.01.2017)

sábado, 28 de janeiro de 2017

Cidade Cool

Mas que cidade cool
O que vale é o poder.
Tem cena de um blue;
Tem crepe pra comer.

Se nota é o dinheiro,
A galera fica cega
Com a riqueza do doleiro
Então a turma não ‘manera’.


Mas que cidade azul
Que acaba sem chover
O rio seboso é tão lindo
E horrível de se ver.

Se carro é caráter,
Beleza é patente
Corra lá dessa gente
Vá se proteger.

Mas que cidade cool
O que vale é o ter
Na cena de um blues
Eu não quero nem saber.


(Cristiano Jerônimo – 28.11.2017)

sábado, 21 de janeiro de 2017

Até os novelos

Ela me olha
com carinha
de Fanta.
Laranjada
em mim.

Eu digo
a ela:
Seu olhar
me encanta...!
Ela percorre
o Brasil.

Meus lábios
Sabem falar
Com a boca.
Sua língua solta
Para se beijar.

Que me toca
Pela flor
No cabelo;
Uma cócega
Pelos pelos,
me diz:
Até os novelos!
Diz-se adeus
e até nunca mais.

Pai!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Todo mundo vinha



Quando sugam
São pessoas
Perdidas.

Nos bordéis
Modernos da vida
Brilham os ternos.

O homem lá da rua
Imagina ela toda nua
Porque já comeu.

O homem é um mendigo
Na calçada esmolando
Uma porta saída.

Tem gente
Que não cheira
O vento do mar
Não sabe ver a vida

Tem gente
Que não cheira
O vento do mar
Não sabe ver a vida

Mas há que se consiga
Lhe agradar o dinheiro
Quando o ralo
Se olha no espelho.

Ninguém olha
Em volta de você,
Que vê com olhos
de peixe.

Mas que se tirasse
na loteria,
Todo mundo vinha.

Todo mundo vinha.                Refrão



Cristiano Jerônimo

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Renascimento em marcas

Ser, de verdade, num é bom;
Todo mundo afirma que sim.
Mas quando desabafa o medo,
Alguém vem e conta seu segredo.

Ser humano, de verdade, vale.
Muito mais que hipocrisia,
Eu falei em outro dia
Quando a semente se fez caule.

Nunca deixe permissível o cale-se,
Nem a afronta de colocar para gelar.
Eu não sou cerveja. Não sou matinê!
Me libertem que o que eu quero é viver.

Escolhe, opta por quem tu queres viva;
Mas não escolhes quem vem lavar tuas feridas.
Há nas cicatrizes o renascimento em marcas
Novos grandes passeios no mar que se embarca.

E o mar só vai para onde ele e a lua querem...



(Cristiano Jerônimo)


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Poeta e culpa


O poeta não escreve por mera distração
Nem tampouco para esconder a solidão.
Nos gestos serenos ou abruptos da vida,
O poeta escreve para cicatrizar feridas.

As chagas alheias, mazelas de si mesmo.
Cidade bonita, cidade sangrenta, suja...
Berço de uma maternidade para o caos,
Seja nas palafitas ou nos prédios altos.

Uma centelha de luz é mais suficiente
Para iluminar o sol da noite nossa gente
E as escadarias onde se sobe e onde cai,
Gradativo que você é quem diz onde vai.

O poeta, na verdade, para tudo que existe,
Até inventa, mas nunca consegue esconder
Que o Humanismo existe e persiste no belo
E no sarcófago do nosso vampiro existencialista                                                               
                                               Augusto dos Anjos

Por exemplo.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Ponta de faca

O sangue dos murros de faca que dei
E as cicatrizes que ficaram em mim
São coisas absolutamente diferentes.
Depois da cura, vem o grande desafio.

De cem por cento das ondas, algumas.
Muitas eu perdi por não conseguir remar,
Outras tantas desci como um tapete a flutuar.
E os caldos da vida existem para ensinar.

As pontas dos meus dedos, os peitos do meus pés
Também curaram; tanto balde que eu chutei.
Os paus da barraca, o olhar funesto e a fantasia
Me mostraram que são possíveis outros dias plenos
Com cheiro de jasmim, luzes de mercúrio e pudins.

No azul, pueril, eu disse aos do norte que ia pro sul.
Faca de ponta pra cortar de novo a mão, em murro
Olhar as cicatrizes e saber que algo de bom ganhou.
Nem de perto, olhar sereno que permeia a hipocrisia.





(Cristiano Jerônimo – 02.12.2016)

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Pronto final

Não nascemos pra chorar;
Vemos tantos a sofrer.
Quem vai nos libertar?
Não pergunte que não sei.

Ando em dúvida material
Quero saber do espiritual,
Só assim sossego o facho
E me conformo no sinal.

Não se conforme no final...
Há perigo onde você anda...
Não se deite nesta cama...
Não alimente este teu mal...

Por fim, vá para o seu banho.
Para se juntar ao seu rebanho
E voltar a ser bem inusitado;
É impossível a gente involuir!
Se só ficarmos estacionados.


(Cristiano Jerônimo)

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Canceriano

O dinheiro acalma os corações mais vazios que conheci neste mundo, até agora
Pela paz

Quando sua vida estiver
Toda definida e arrumada
Lembra-se da tua estrada
E de quantos se Deus quiser.

Falastes uma vez só e não
Não fostes feliz na reação.
Quisestes ser cruel no amor
Ante o que restou preocupação.

Eu que não falei, não desdenhei.
Levei porrada, quis ser uma mulher
Ou que fostes uma vez homem;
Minha mão fechada desencanta.

No pé do ouvido: - Serena tua ira,
Tua materialidade, a paciência,
Porque não podes ter um câncer
Porque sou, inclusive, canceriano.

Lê de novo o livro código principal;
Eu já li mais de 40 vezes...
E ainda tenho que ler
Outras 40 x 4,
Como perdoar
70 x 7 sempre.

(É possível).

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Mas,
"Vendo barato 
a minha nova
água benta:
três prestações 
qualquer um
pode comprar.
Se  pecado
anda sempre 
ao seu lado
e o demônio
vive a lhe tentar.
Chegou a luz
no fim do seu túnel,
minha filha,
O meu cajado
vai lhe purificar...
Pois eu transformo
água em vinho,
chão em céu,
pau em pedra,
e cuspe em mel.
Pra mim não existe
Impossível
... Pastor João...
e a igreja invisível.
O sucesso da minha existência
está ligado ao exercício da fé.
Pois se ela remove montanhas
também traz grana e um monte de mulher".




(Cristiano Jerônimo)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...