sábado, 2 de março de 2019

Uma covardia...




Detalha este enredo
Em púlpitos corações
Fruto de puras ilusões;
Onde nasce a covardia.

Do egoísmo, 
não reclame!
Nem solidão
Aquele chiclete
Acabou o doce.
Virou borracha
Só vai com outro
para voltar a adoçar... 
E o doce não existe mais;
Numa luta de ódio e amor
Desestabilidade e dor
De orgulho e de máscaras
Vencemos nossos fantasmas.

O teu encanto cheira
Ao disfarce, à loucura
Desespero... Quem és tu?
Para mexer comigo?
Quem és tu? Pra me marcar?
  


Cristiano Jerônimo

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Minha Caixa Postal

Bailado de chamada de passarinho macho para o acasalamento com a fêmea

Me tenha pelo menos como palhaço
Um bobo da corte que se solta no ar
Bailarino mágico donde flui a leveza
Para levar ao coração de Vossa Alteza

Tangará! Todo pássaro tem o seu cantar
Tangará! E todos eles gostam de voar
Todo pássaro tem seu canto
E gosta de flutuar

Pode me ter como comando da guarda
O fiel, o cruel, o que exerce o pior papel
Ou como teu bem, teu anjo até a manhã
Até nos entregarmos entre os abraços

Minha Caixa Postal está no mesmo lugar
Faz seis anos que você desapareceu
Faz três anos que não te vejo
(Mas não queria o seu beijo
Outra vez).

Tangará! O lar do passarinho
Tangará! Não é o ninho, é o ar
Todo pássaro tem seu voo
E também gosta de planar...




(Cristiano Jerônimo – 220219)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Arco-Íris sem fim



Eu não posso vencer a ninguém
A não ser a mim mesmo.
E seguir o meu caminho
Sem caminhar a esmo
Até chegar ao princípio.
Sei que é sempre assim
Pois o arco-íris é o início;
É infinito e não tem fim...





(Cristiano Jerônimo)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Gira e mói



Eles nem se conhecem
ao menos sabem ao certo
que nada foi descoberto
sei que é isso que acontece
quando as pessoas crescem
e não conseguem caminho,
rumo, timo necessário à vida.

Na estrada mais comprida
incerteza de que vai mudar
e no atalho que não vai dar
aposta a sua alma e a vida
na terapia de saber viver
sair do casulo que é eterno
saber lidar com o moderno
e, com a vida, se organizar.


Parado no tempo sem dó
queixando-se que anda só
os vazios são preenchidos
os alados são no céu vistos
os que não voam padecem
e a insegurança vai e cresce
Abrindo asas em todos os vazios
Embora eles não sejam preenchíveis...
nunca o vazio vai fechar, nem o riso.
o parecer do melhor especialista,
para cada buraco que taparmos
dois outros aparecerão no lugar.

Bicicleta é uma engrenagem fria
que esquenta quando gira e mói
a saudade traiçoeira sempre dói
temos que ser intensos a cada dia
da inércia vivem os objetos parados
águas empoçadas que podiam correr
água em poça que cria lodo esverdeado
diferente da água corrente e do riacho.
Ele nem se conhece
sequer sabem ao certo
de que nada fora descoberto
isso é coisa que acontece
quando as pessoas crescem
e não conseguem caminho,
rumo, timo necessário à vida.
ser feliz não é ficar alheio
queijo suíço tem buraco até cheio.
se não plantar, não há colheita
se não se impuser, ninguém respeita.
(estes são tempos de trabalho
de base e organizações sociais
embora estejamos tão parados
e o povo se cansado de lutar, não.
mal do comandante militar.
Mas a cultura é uma arma
de revolução em massa
quente!
Que dá medo e ameaça
a todos eles, poderosos,
os ‘donos’ do nosso PIB).

Sentar num banco de praça
Sem sentir nenhuma ameaça
Que o melhor vem e atrai o bem
Sem ver a quem e a indulgência.


Cristiano Jerônimo Recife PE

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Terra fecunda


Onde tem gente tem soluções
Para aprender com as solidões
Dos espaços vazios deixados
No meio do tempo no calo
Sapato apertado e solado gasto
Onde tem gente, há soluções
(A rima dos vaqueiros na boiada
Marrãs tangidas nas serras nuas)
A vergonha é fato que não existe
Respeitar as tribos, buscar juntas
O que é nosso de fato e de direito

Tão feliz por construir a casa
E depois reforma urbana
E também reforma agrária
Numa produção tão extraordinária
Que nossos sonhos precisam do chão
Para sustentação das raízes profundas
Cultivadas há anos em terras fecundas
Da imaginação, dos sonhos, de toda fé
Para cumprir o seu papel neste mundo
Com sua santa e viva feição de natureza
Alimentam pequenos riachos cristalinos
Que vão se embora mesmo com represas
Num mar de ilusões, compomos realidade
Tal a pauta do dia, que muda ao meio dia
E tudo havendo ao mesmo tempo na cidade
Ruas desertas e escuras da noite da Boa Vista
Levam ao paraíso, ao caos, e cada um que seja
Hoje eu tomo apenas três cervejas e ‘você veja’
Meu verso não tem nenhum sinal de conduções.
Apenas isso.



(Cristiano Jerônimo – 18022019)

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Fenda abissal do nada



A lua que eu vejo
Por trás de tantas folhas
Deitado nesta rede
Pensando nas escolhas
E no filho mais novo
Que requer mais atenção
Saber da malícia do povo
Mas ter um bom coração.

A chuva mostra que cada pingo
Já foi e veio ao solo tantas vezes
As pontes de hidrogênio e do ar
Corredeira que tudo leva e recicla
Vagalumes que se juntam em led
E o céu abrindo como uma placa
Que, por mais tectônica que fosse,
Havia de nos poupar de um lado
Afastado da fenda abissal do nada.

Rodamos vários anos nesta estrada
Os insetos luminosos do caminho
O passarinho que não queria ninho.

O sol que derretia sorvetes
No vento de tantas folhas
Deitado na rede de palha
Com alternativas boas
Pensando no filho mais novo
Que requer mais atenção
Saber das delícias do povo
Planejar aprendizado
E executar educação.






(Cristiano Jerônimo – f1729)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Santos de todas as baías



Em Jardim Apipema
Projeto meu amor
E assim, mesmo barra
Mudo de muitas casas
Crio as preciosas asas
Que me ajudam
A sobrevoar
Os campos da destruição.

Guinei!

Brisa nostálgica de Arembepe
Chegamos à Mata de São João
Olhos brilhosos da Praia do Forte
Lembrança serena dos ventos amenos
Soprados na magia do Morro de São Paul
Uma esteira e uma rede, uma cama de casal
Longe do agouro da lagoa do Abaeté
Com muito tutu, caruru e acarajé
Pimenta pra saber quem é que é
E feijão branco para dar sustança.
Casa de farinha, tapioca e beiju
Lambreta, pititinga e abará
Eu estou na Bahia
Lembrando os tempos de criança,
Meu amor.



(Cristiano Jerônimo – 14022019)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Soneto da liberdade

 

Porque sou poeta e amo a excentricidade
de umas coisas que a outros não convém,
ando sempre a incorrer na hostilidade
dos mil cretinos que esta cidade tem.

Já as mulheres, que pena,
muitas detestam-me também.
É que eu dou carinho, na verdade,
Mas não enfeito o pandeiro de ninguém.

Decerto que não sou nenhum portento
Mas sei que tenho um pouco de talento
E louvo a Deus que altivo assim me fez.

Vós, se me odiais pelas minhas mil venetas,
Deixai-me em paz com as minhas costeletas,
O meu cigarro aceso e o meu cachimbo inglês.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

O Azul do Infinito



(Cristiano Jerônimo | Lula Côrtes)

O escuro azul, tão bonito
da abóboda estrelada...
contendo em si sóis incontáveis
Pulsa calado e vivo
Em seu mistério eterno...

De uma indecifrável solidão
Intergaláctica...
No amedrontador
Da mais exata geometria,
Na qual, estrelas, explosões
E planetas no absurdo mapa.

Sugere aos olhos
Dos homens curiosos
Um vazio maior
Que o mais vazio da alma...

E por milênios incontáveis
De incontáveis eras...
Na inimaginável constância
Da expansão eterna...
Os pobres de espírito,
Diante do infinito,
Implodem aturdidos
E se resumem à terra!


(Calheitas - 1993)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Mouros ibéricos



O sangue que sangra frio
Num corpo de calafrios
E os clarins dos meus sinais
São os jardins das capitais.

O sangue que é transparente
É de barata, não é de gente...
A crueldade dos mouros
E a brabeza dos touros.

São lembranças de sangue
Exemplos de perdão, paz
Sem resultados no Sertão
E em Gaza, na Palestina.

Tristes homens que duelam
Sob a arrogância que exibem
Não têm outra razão revelam
Que na verdade não existem.


(Cristiano Jerônimo – 17.02.2017)



Numa boa



Vou tomar um cafezinho
Para esquentar
Ou mesmo um sorvetinho
Pra esfriar
De forma pueril
E profunda,
Táticas de guerra
Pra sobreviver.

Vou tomar o meu chazinho
Abraçado com a bênção
Dos caboclos juremados
Poetizando o passado
Com uma cultura oral
Infinidade de segredos
Que os sinais digitais
Rasgam nas culturas
Supérfluo e nada mais
Por todos os lados
Quem já sabe pescar
Quem está sem vara
O despudor está na cara
E o amor próprio se afundou.

Passa mais um cafezinho
Que a conversa está tão boa
Eu nunca mais vi aquela pessoa
Quero te encontrar em Boa Viagem
No meio do céu azul e do sol ardente
Quem sabe, andar no calçadão à toa
Tomar água de coco na barraca do coroa
E entrar no mar, feliz da vida, numa boa.




(Cristiano Jerônimo)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...