terça-feira, 22 de outubro de 2024

A maldição de Narciso


Todo dia

Narciso decide

O que é feio ou bonito.

 

Com seu reflexo

No espelho d’água

Admira-se e duvida.

 

Narcisa tem um lago também

E sempre cai na água

Que não reflete o seu ser.

 

É Narciso quem decide

O que é feio ou belo

Com sorriso amarelo.

 

Esqueceram de dizer

A Narcisa que quem ama o feio,

Bonito lhe aparenta.

 

Narciso morreu afogado

Olhando seu reflexo

Num espelho sem respostas.

 

Pensou que morreu bonito

Mas o narcisismo é feio

E, assim, Narcisa ficou viúva.

 

Mitologicamente,

Narciso era jovem, belo e vaidoso

Apaixonado pelo seu reflexo no lago.

 

Filho do deus do rio Cefiso e da ninfa Liríope 

Cortejado por homens e mulheres,

Desprezava as atenções lhes dirigidas.

 

A ninfa Echo apaixonou-se por Narciso e ele a rejeitou 

Eco pediu a Nêmesis, a deusa da vingança,

Uma maldição sobre o filho de Liríope.

 

Tal infortúnio era que Narciso

se apaixonasse intensamente,

mas não pudesse possuir a sua amada.

 

Narciso ficou com sede numa caçada,

Inclinou-se para beber a água de um lago

E acabou apaixonando-se pelo próprio reflexo.

 

Ao tentar tocar a imagem que via refletida,

perdeu o equilíbrio, caiu no lago e morreu afogado; 

Verdadeiro símbolo de vaidade e insensibilidade. 


(Cristiano Jerônimo Valeriano – 21102024)

terça-feira, 15 de outubro de 2024

De mão em mão



Os dias são tão diferentes

O mesmo que água de rio

Como na batalha, o desafio

As gregas e troianas mentes

Antes do Império Romano

Guerras só mudaram de data

A terra sendo sempre uma só

Com os mesmos sentimentos

Pobres; e outros mais nobres

Alexandria, Macedônia, o céu

Os mouros e bárbaros ibéricos

Minha descendência vai buscar

No coração do Brasil sérico

Fato que eu estou tão vivo

Que não pratico as quimeras

Mas uso-as para elevar a mente

Mais vale plantar uma semente

Do que desenraizar uma árvore

Preste atenção nos olhos d’água

Na secura da floresta viva e mãe

Prestando a tudo que se propõe

A única coisa sem ser da floresta

É aquilo que os loucos vendem

Excesso de monóxido de carbono

O pior é que eles não entendem

É preciso uma roda de comunhão

Para a natureza ser passada

De mão em mão.............................

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 15/10/2024)

sábado, 28 de setembro de 2024

Sonon pós night



A questão completa

A que é mais complexa

Sabe que não sou ninguém

Quando se diz quem é que pode

Dentro de mim há outro alguém

Minha natureza é mais de um bode.

 

Eu não sou mesmo a mesma pessoa

Que se alinhava noutros compassos

Como foram todos os meus abraços,

Sei que não há nada em linha reta

Nem nos mais fartos ou nos escassos

Argumentos para uma palavra certa.

 

Envolta e encoberta na nuvem que flutua

Nos lugares da capital pernambucana

A bailarina ou a cigana desafiam nuas

Todas correm para serem apenas uma

Volto para casa e levo o sono à ventania.

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 28.09.2024)

terça-feira, 17 de setembro de 2024

Além das bolhas


Protetor, antes de sair ao sol

Protetor, no Cristo Redentor

Uma vida inteira sob o Protetor

Para tanto belo e tanta tralha

Numa parte do Rio falta amor

Noutra sobra e uma gata malha

Praia, pólvora e os seus biquínis

A Asa Delta da Godiva do Irajá

Morros brancos da mazelas finas

O veneno que se manda para cá

A América Central para traficar

Negociar sonhos e mudar perfis

Nem todos os céus são tão anis.


Com o reverso pra sair do furacão

Ser a terceira pessoa de si mesmo

Um tipo novo de amor no coração

A vitória diária do vinho e do pão

Impede que a estrada seja a esmo

E que não haja caminhos a avançar

Para construir vida fora das bolhas

Onde se valoriza o amor no coração

Onde é objeto de análise toda emoção.

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 16.09.2024)

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Religioso e profano



A solidão com vista pro mar de Marina

Trata-se de 24 horas de Barra/Ondina

Vida nova; para poder se reinventar

No caos que, de repente, se instala

Depois vai embora; a vida é uma saga.

 

Depois de um charuto e uma fina baga,

Nem o sol ou mar apagam minha brasa

O meu histórico é mesmo de escrachado

Sou aquele quem de você já traga, viu?

Por sinal, não acredito mais neste Brasil.

 

Boto o pé na rua e vejo uma repercussão

Ela está em tal lugar. Ele está no sertão

Ele está na seca brava da serra do torrão

Tão longe destas máquinas, somos delas,

Aquelas terras amarelas partem o coração.

 

Agora que, depois de ir para o seu caos,

Não me sinto nem um pouco tão mal

Na sua bondade, a natureza é histórica

Somos filhos da grande basílica católica

Jamais duvidei do meu Deus até agora.

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 11092024)

 

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Céu ou inferno



Criaram um fosso no caminho dos homens

Juntados na asa delta do espaço, dos sonhos

Sina de poder sobreviver por tantos milagres

Tanto se abrem e pegam os tristes risonhos.

 

Era o mesmo que burado, com seres seduzíveis

Os mais desprezíveis desses gestos humanos

Não fique tão, solitariamente, assim tão exato

Existe uma centelha de fogo aonde há mato.

 

Representantes que nos comem carne até crua

Somos seres tão viçosos ao paraíso e ao mal

Podemos dizer, a gente é considerada normal

Foi porque quis, que ela correu nua pelas ruas.

 

Um paraíso tropical de um turismo sexual

Pujante... Descobriram de novo o elefante

Toda magia das velas do mundo espiritual

E festas comemorando esta vida material.

 

Outros enfrentando o karma e o merecimento

Transformados em razão, ainda há incoerência

Coisa dura de lutar é com nossos sentimentos

Com a nossa arrogância e toda a consciência.

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano)

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

Para sorrir e cantar



Ninguém pode ir

Embora de si

Mesmo assim

Eu corro

Vivo e morro

Nasço de novo

É sempre assim...

 

Aonde for,

Acompanho-me

Sonhar eu sonho

E fico risonho

Ao tomar banho

Nas cachoeiras

Água, fogo,

E diversão...

 

Aonde fores

Irás contigo

Também

Assim verás

O que se ganha

No que é habitual

Aquelas flores

Tantas manhas

Uma criança que havia lá

Que fez se perder

No verbo que havia de estar.

 

Foi um engano

Impossibilidade

Feliz por ter voltado

Corri para ser libertado

De uma vida

Que não foi esclarecida

A estrada dolorida

Enganosa nessa vida

Há de outra coisa voltar

Para o mesmo lugar

De onde nunca

Deveria ter saído.

 

Ainda me falam de amor

Música, carro e futebol

A verdade que se mente

Num passado obscuro

O futuro que engana

A certeza do presente

Quem não sabe revelar

Sequer o que é verdade

Na doentia crueldade,

Aqueles sapatos velhos

Foram doados na cidade

E eu fiquei assim: feliz...

Muito feliz pela caridade.

 

O Nordeste

Dos amores

E filhos

Confiados por Deus

Para nos agradar

E voltarmos a acreditar

Que dos amores que foram

Sempre outro amor virá

Para sorrir e cantar............

 

 

(Cristiano Jerônimo – 27.08.2024)

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Não mais



A gente não vai mais

Não vai nunca mais

Mas perece

Mais

Que a gente

Queria mais

Mas não haveria paz

O que haveria de ser

Se era o que queríamos

E não foi o que tivemos

Mas se estivéssemos juntos

Não mais estaríamos bem

Ninguém explicou por que o paraíso

Transforma-se no além...

Eu me recuso, mas volto a Pensar

Como seria estar?

Volto para o além

No meu destino

Desde menino

Não dá, não dá

Poderia e não há

Adeus mais uma vez

Ao que fiz e você fez

Eu fui embora

e nem lembro

se lembrei

se disse Adeus

Adeus!

 

 (Cristiano Jerônimo – 23.08.2024)

As árvores


Festival de Música da ETFPE de 1990 – Prêmio Melhor Letra

 

As árvores não iam morrer.............

Elas eram as escadas da nossa vida

E eu tinha sempre mil vidas a mais

Mas o sonho de progresso

Acabou com a paz...........................

 

Ainda que os frutos não sejam sentidos

Eu me lembrarei do que foi vivido:

Que as árvores não iam morrer..............

Sob o bem ou mal querer.......................

E tudo era bem mais fácil (!)

Do que o tempo que estou a ver..............


Ainda que eu não tenha fotos

Vou lembrar do que foi visto

Mas é que agora 

As árvores não vão renascer

Agora só lembranças no mar

Mas não haverá nem lembranças

Quando acabar o nosso ar......................

 

Não tenho mais a sorte do que eu tinha

De ver árvores ao amanhecer.

 

E quando o sol vier sem o verde

Vou me esconder na televisão.

 

Ficar trancado no meu quarto

Pra não trancar meu coração

(Com o que vou ver lá fora...)

 

Baby, o sol não vai nascer

Quando acabar as árvores

Baby, o sol não vai se por

Quando acabar as árvores.

 

Baby, o sol......................!!!

 Não vai.....................!!!!

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – Outubro de 1989)

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

O ar e a gasolina no mar e na piscina


Quando somos empurrados pela vontade dos outros

Quando há alguém que facilita tudo, nos priva de ser

Nós nos enganamos e depois nos arrependemos

Desculpe o peso, o machado, a seca independência

Sucesso nos jornais que agora resistem em arquivos

A artista que fez arte, o compositor que se perdeu

Toda a glória que a circunstância, a paz não lhe deu

Com um martelo, um machado e uma foice aos vivos

Ninguém precisa de julgamentos nem mesmo de crivos

Nem de estigma político de ser evangélico ou viver ateu

Nas esquinas da vida, não há melhor ou pior do que eu

Somos divinos e pecadores enquanto estivermos vivos

Somos doces, salgados, azedos, cítricos; e substantivos

Com os adjetivos que nem os santos usaram e são seus

Com todos os meus; com os fariseus, filisteus e judeus

Guerra santa, onde se canta em nome de um “Deus”

A guerra fria continua entre os teus e os mesmos meus

A terra não chora só porque a gasolina pode se acabar

Ela só olha para a gente e pergunta: quais são os seus?

Suas alternativas para quando, na terra, a água acabar...

 


(Cristiano Jerônimo Valeriano – 24.08.2024 – Arcoverde/PE)

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Os povos germânicos da Bretanha



Os cavaleiros guerreiros pagãos

Tomaram de assalto os Celtas

O seu território pelos bretões

Pelos gaélicos e pictos, sermões

Província do Império Romano

Com a Escócia e os anglo-saxões.

 

Este é o nosso Reino Unido,

Até os dias atuais com Gales

Celtas e a Irlanda do Norte

Lutaram contra bretões, irlandeses,

Escoceses, galeses, dinamarqueses,

neerlandeses, frísios e alemães

Para formar tudo que hoje há.

 

Três tribos germânicas

- jutos, anglos e saxões –

Na busca por novas terras

encontraram áreas férteis

na Grã-Bretanha num todo

Mas que a guerra foi vista

Ataques dos povos germânicos

União de anglos, saxões e jutos

Expulsaram os celtas da sua terra

Com Galeses, Escócia, Cornualha

e a Bretanha francesa de então.

 

Século X, ataques viquingues

Trouxeram a unificação política

A custa de muito sangue no chão

Vidas de tribos ingevônicas,

Habitaram toda a Nordalbíngia,

Corresponde à terra Holsácia

Sobrepostos a área dos anglos

Os saxões estabeleceram

Os povos germânicos na Bretanha

No caos iniciado no século V.

Salve a Coroa Britânica

 

(Cristiano Jerônimo – 21.08.2024)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...