quarta-feira, 28 de agosto de 2024

As árvores


Festival de Música da ETFPE de 1990 – Prêmio Melhor Letra

 

As árvores não iam morrer.............

Elas eram as escadas da nossa vida

E eu tinha sempre mil vidas a mais

Mas o sonho de progresso

Acabou com a paz...........................

 

Ainda que os frutos não sejam sentidos

Eu me lembrarei do que foi vivido:

Que as árvores não iam morrer..............

Sob o bem ou mal querer.......................

E tudo era bem mais fácil (!)

Do que o tempo que estou a ver..............


Ainda que eu não tenha fotos

Vou lembrar do que foi visto

Mas é que agora 

As árvores não vão renascer

Agora só lembranças no mar

Mas não haverá nem lembranças

Quando acabar o nosso ar......................

 

Não tenho mais a sorte do que eu tinha

De ver árvores ao amanhecer.

 

E quando o sol vier sem o verde

Vou me esconder na televisão.

 

Ficar trancado no meu quarto

Pra não trancar meu coração

(Com o que vou ver lá fora...)

 

Baby, o sol não vai nascer

Quando acabar as árvores

Baby, o sol não vai se por

Quando acabar as árvores.

 

Baby, o sol......................!!!

 Não vai.....................!!!!

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – Outubro de 1989)

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

O ar e a gasolina no mar e na piscina


Quando somos empurrados pela vontade dos outros

Quando há alguém que facilita tudo, nos priva de ser

Nós nos enganamos e depois nos arrependemos

Desculpe o peso, o machado, a seca independência

Sucesso nos jornais que agora resistem em arquivos

A artista que fez arte, o compositor que se perdeu

Toda a glória que a circunstância, a paz não lhe deu

Com um martelo, um machado e uma foice aos vivos

Ninguém precisa de julgamentos nem mesmo de crivos

Nem de estigma político de ser evangélico ou viver ateu

Nas esquinas da vida, não há melhor ou pior do que eu

Somos divinos e pecadores enquanto estivermos vivos

Somos doces, salgados, azedos, cítricos; e substantivos

Com os adjetivos que nem os santos usaram e são seus

Com todos os meus; com os fariseus, filisteus e judeus

Guerra santa, onde se canta em nome de um “Deus”

A guerra fria continua entre os teus e os mesmos meus

A terra não chora só porque a gasolina pode se acabar

Ela só olha para a gente e pergunta: quais são os seus?

Suas alternativas para quando, na terra, a água acabar...

 


(Cristiano Jerônimo Valeriano – 24.08.2024 – Arcoverde/PE)

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Os povos germânicos da Bretanha



Os cavaleiros guerreiros pagãos

Tomaram de assalto os Celtas

O seu território pelos bretões

Pelos gaélicos e pictos, sermões

Província do Império Romano

Com a Escócia e os anglo-saxões.

 

Este é o nosso Reino Unido,

Até os dias atuais com Gales

Celtas e a Irlanda do Norte

Lutaram contra bretões, irlandeses,

Escoceses, galeses, dinamarqueses,

neerlandeses, frísios e alemães

Para formar tudo que hoje há.

 

Três tribos germânicas

- jutos, anglos e saxões –

Na busca por novas terras

encontraram áreas férteis

na Grã-Bretanha num todo

Mas que a guerra foi vista

Ataques dos povos germânicos

União de anglos, saxões e jutos

Expulsaram os celtas da sua terra

Com Galeses, Escócia, Cornualha

e a Bretanha francesa de então.

 

Século X, ataques viquingues

Trouxeram a unificação política

A custa de muito sangue no chão

Vidas de tribos ingevônicas,

Habitaram toda a Nordalbíngia,

Corresponde à terra Holsácia

Sobrepostos a área dos anglos

Os saxões estabeleceram

Os povos germânicos na Bretanha

No caos iniciado no século V.

Salve a Coroa Britânica

 

(Cristiano Jerônimo – 21.08.2024)

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Verossímil


Eu que me livrei

Da escravidão dos teus equívocos

Minha ficha se confirmou

E caiu totalmente.


Ninguém há de ser feliz

Permanecendo em histórias

Cujo final não há chances

De ser feliz...


Não fui só eu

Que contribuí.

Responsabilidade

Solidária.

 

Ninguém se cura sem cortar

A raiz do mal,

Sem se privar do que machuca

E contamina sua felicidade,

Do que ficar junto

Do que nos faz sofrer.

 

Ninguém volta a sorrir

Nos lugares

Onde a sua felicidade

Foi perdida, roubada,

Aviltada, negada.

 

Cair fora do que nos adoece

Sob pena

De morrerem

Nossos sonhos

De incomodar nossas vidas

Pois, morreremos sem sonhos

Sem planos...


Morreremos nós

Ainda que com vida

Por muitos dias

Por muitos anos...

Que definitivamente

São um passado

que morreu. 

 

(Cristiano Jerônimo – 15.08.2024)

domingo, 11 de agosto de 2024

Violência rural



Mais barulhentos

Do que operários

Em canteiro

De obras.

 

Mais saltimbancos

Do que trapalhões

Em filme de sucesso

De outrora.

 

Mais determinados

Do que estelionatários

Em dias de culpa

E complicações.

 

Violência urbana

Uma guerra rural

Que levou tantos sonhos

Muitos para o bem

outros ao mal.

 

Minha mira no alvo

Não me faz são e salvo

Mas ensina que a reação

É completamente normal

Minha paz e a vingança

Me faz, desde criança,

Achar isso tudo banal.

 

(Cristiano Jerônimo – 10.08.2024 – Recife/PE)

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Resoluções


Valeu a propaganda:

Oferecimento

De quem manda,

Na vida do outro

E tanto atrapalha.

 

(Nem tudo é

Como você quer.

Bote fé...)

 

Enganos na sala de estar

Na hora de comer

Na hora de sonhar

De estar contigo

Que estavas comigo

Num sistema “amigo”.

 

Dois enganados

Sem saídas

Para estar agasalhados

No frio

E no calor intenso

Da queda do rio.

 

(Nem tudo é

Como você quer.

Bote fé!)

 

Não há castigo

Nem ilusões

No creo em perdões

No creo em culpas

As catapultas

Nos lançam ao mundo

Não tem mais lutas

Para enfrentar.

 

(Nem tudo é

Como você quer.

Bote fé!)

 

Acabou a nossa vida

Com um fim de tarde

Que nunca teve por

Nunca escureceu

Também não clareou

Por isso, nos libertamos

Do que nos fazia mal

Mas é bom saber

Que tudo isso é normal

Até o que nos tira do sério.

 

(Nem tudo pode ser.

Pode crer)

 

A sapiência e os degraus

Respeitados os abismos

Uma menina e um menino

Nas reticências do destino

Que não tem dono nem vai

Sem boa vontade não se faz

Assim a comunhão vai e jaz

Superada e capaz

De transpor religiões

Esquecendo os corações.

 

 

(Cristiano Jerônimo – Valeriano | 090824)

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Ao céu e à luz

Fugimos

Indubitavelmente

Do mais essencial

Quando

Preferimos a estrada

À casa;

A paixão e os sonhos

Às regras;

A aventura

À repetição;

O amor

À sedução;

O plástico

Ao papel;

A terra

À luz e ao céu.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 06.08.2024)

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Gente que...


Gente que

Gente que julga

Já julgada.

 

Gente que descrimina

Descriminada.

 

Gente que não resolve

Nada.

 

E em toda a vida

Arremessa a espada.

 

Guardada e inesperada;

Tanto que embrulha

O coração com a estrada.

 

 (Cristiano Jerônimo – 30.07.2024)

O ocaso do amor



Amor de menino...

Isso eu não aprendi

Com a minha mãe.

Não!

 

Definitivamente

A emoção

E a razão

Foram intangíveis

No mundo

Dos que se acham

Humanos.


As eras

Seguiam

Ensinando

O calor do tempo

A pressão

Apertando

Escapando no vento.

 

Cada um

Tem o seu ser

Envolve muitos:

Eu e você e mais

E tudo o que for capaz

Somos dos tempos

Das eras ancestrais

Que vivemos atrás.

 

O destino...

O dedo do homem

E o amor do menino

Jazem no cemitério do amor

Todo ano renova-se uma flor.

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano - 04.07,2024)

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Sangrando rock’n’roll no ar



Para Marcopolo Guimarães

Um rocker man e os seus

Verbos seres humanos

Com guitarras de vozes

Pensamentos velozes

Sem haver desenganos.

 

Sobriamente psicodélicos

Inspiradamente estéreos

Iê iê iê do tempo mutante

Impresso nos alto falantes

O pássaro fêmea que voou

Depois pousou e decolou

E arremeteu no firmamento.

 

As suas coordenadas blues

Flutuam nos mares áudios

Nos acordes dos agrestes

No rock’n’roll das capitais

50 mil anos luz de som (som)

Meio século fora do relógio

Meio século à frente do seu tempo

Voa nas alegrias e tormentos

Pois essa é a arte de planar.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 24072024)

segunda-feira, 15 de julho de 2024

Não se engane, gente boa



Não creia na bondade

Dos seres interesseiros;

Podem ser os primeiros

A demonstrar falsidade.

 

Nem acredite em ilusões

Que importa se não ligam

Na mente que se desliga

Na mesma vã proporção.

 

O protótipo em Nápoles

Mais sucesso da Holanda

No frigir dos ovos, flamba

E dos guetos vem o samba.

 

Gasolina queimada no céu

Camadas de divina proteção

Recompensas a quem fez mel

Ciência da rainha e do zangão.

 

Cada canto de cada atmosfera

Será um fungo, uma planta

Um ser humano que deve ir

Saber, ao certo, como andar.

 

O que sentes é uma só realidade

O futuro nos leva à ansiedade

O passado então nos leva à cidade

Os pastos ficam para outro gado.

 

Não se iluda com um sorriso

Ele pode não ser tão preciso

O que está por trás do bem

Não o faz só porque não tem.

 

Não se iluda com o silêncio

Ele pode falar mais palavras

Prefira mais o papel estêncil

Ao laminado de figuras caras.

 

É como preencher formulário

Omitindo o que é o essencial

Como nos fazer tão de otários

Mas cair de uma nave espacial.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 1307.2024)

As feras que somos

Ao Boqueirão da Barra O disco acaba, mas o samba segue solto Sempre tem a festa do pessoal do morro Carne assada e sangue no pandeiro ...