terça-feira, 17 de setembro de 2024

Além das bolhas


Protetor, antes de sair ao sol

Protetor, no Cristo Redentor

Uma vida inteira sob o Protetor

Para tanto belo e tanta tralha

Numa parte do Rio falta amor

Noutra sobra e uma gata malha

Praia, pólvora e os seus biquínis

A Asa Delta da Godiva do Irajá

Morros brancos da mazelas finas

O veneno que se manda para cá

A América Central para traficar

Negociar sonhos e mudar perfis

Nem todos os céus são tão anis.


Com o reverso pra sair do furacão

Ser a terceira pessoa de si mesmo

Um tipo novo de amor no coração

A vitória diária do vinho e do pão

Impede que a estrada seja a esmo

E que não haja caminhos a avançar

Para construir vida fora das bolhas

Onde se valoriza o amor no coração

Onde é objeto de análise toda emoção.

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 16.09.2024)

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Religioso e profano



A solidão com vista pro mar de Marina

Trata-se de 24 horas de Barra/Ondina

Vida nova; para poder se reinventar

No caos que, de repente, se instala

Depois vai embora; a vida é uma saga.

 

Depois de um charuto e uma fina baga,

Nem o sol ou mar apagam minha brasa

O meu histórico é mesmo de escrachado

Sou aquele quem de você já traga, viu?

Por sinal, não acredito mais neste Brasil.

 

Boto o pé na rua e vejo uma repercussão

Ela está em tal lugar. Ele está no sertão

Ele está na seca brava da serra do torrão

Tão longe destas máquinas, somos delas,

Aquelas terras amarelas partem o coração.

 

Agora que, depois de ir para o seu caos,

Não me sinto nem um pouco tão mal

Na sua bondade, a natureza é histórica

Somos filhos da grande basílica católica

Jamais duvidei do meu Deus até agora.

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 11092024)

 

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Céu ou inferno



Criaram um fosso no caminho dos homens

Juntados na asa delta do espaço, dos sonhos

Sina de poder sobreviver por tantos milagres

Tanto se abrem e pegam os tristes risonhos.

 

Era o mesmo que burado, com seres seduzíveis

Os mais desprezíveis desses gestos humanos

Não fique tão, solitariamente, assim tão exato

Existe uma centelha de fogo aonde há mato.

 

Representantes que nos comem carne até crua

Somos seres tão viçosos ao paraíso e ao mal

Podemos dizer, a gente é considerada normal

Foi porque quis, que ela correu nua pelas ruas.

 

Um paraíso tropical de um turismo sexual

Pujante... Descobriram de novo o elefante

Toda magia das velas do mundo espiritual

E festas comemorando esta vida material.

 

Outros enfrentando o karma e o merecimento

Transformados em razão, ainda há incoerência

Coisa dura de lutar é com nossos sentimentos

Com a nossa arrogância e toda a consciência.

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano)

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

Para sorrir e cantar



Ninguém pode ir

Embora de si

Mesmo assim

Eu corro

Vivo e morro

Nasço de novo

É sempre assim...

 

Aonde for,

Acompanho-me

Sonhar eu sonho

E fico risonho

Ao tomar banho

Nas cachoeiras

Água, fogo,

E diversão...

 

Aonde fores

Irás contigo

Também

Assim verás

O que se ganha

No que é habitual

Aquelas flores

Tantas manhas

Uma criança que havia lá

Que fez se perder

No verbo que havia de estar.

 

Foi um engano

Impossibilidade

Feliz por ter voltado

Corri para ser libertado

De uma vida

Que não foi esclarecida

A estrada dolorida

Enganosa nessa vida

Há de outra coisa voltar

Para o mesmo lugar

De onde nunca

Deveria ter saído.

 

Ainda me falam de amor

Música, carro e futebol

A verdade que se mente

Num passado obscuro

O futuro que engana

A certeza do presente

Quem não sabe revelar

Sequer o que é verdade

Na doentia crueldade,

Aqueles sapatos velhos

Foram doados na cidade

E eu fiquei assim: feliz...

Muito feliz pela caridade.

 

O Nordeste

Dos amores

E filhos

Confiados por Deus

Para nos agradar

E voltarmos a acreditar

Que dos amores que foram

Sempre outro amor virá

Para sorrir e cantar............

 

 

(Cristiano Jerônimo – 27.08.2024)

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Não mais



A gente não vai mais

Não vai nunca mais

Mas perece

Mais

Que a gente

Queria mais

Mas não haveria paz

O que haveria de ser

Se era o que queríamos

E não foi o que tivemos

Mas se estivéssemos juntos

Não mais estaríamos bem

Ninguém explicou por que o paraíso

Transforma-se no além...

Eu me recuso, mas volto a Pensar

Como seria estar?

Volto para o além

No meu destino

Desde menino

Não dá, não dá

Poderia e não há

Adeus mais uma vez

Ao que fiz e você fez

Eu fui embora

e nem lembro

se lembrei

se disse Adeus

Adeus!

 

 (Cristiano Jerônimo – 23.08.2024)

As árvores


Festival de Música da ETFPE de 1990 – Prêmio Melhor Letra

 

As árvores não iam morrer.............

Elas eram as escadas da nossa vida

E eu tinha sempre mil vidas a mais

Mas o sonho de progresso

Acabou com a paz...........................

 

Ainda que os frutos não sejam sentidos

Eu me lembrarei do que foi vivido:

Que as árvores não iam morrer..............

Sob o bem ou mal querer.......................

E tudo era bem mais fácil (!)

Do que o tempo que estou a ver..............


Ainda que eu não tenha fotos

Vou lembrar do que foi visto

Mas é que agora 

As árvores não vão renascer

Agora só lembranças no mar

Mas não haverá nem lembranças

Quando acabar o nosso ar......................

 

Não tenho mais a sorte do que eu tinha

De ver árvores ao amanhecer.

 

E quando o sol vier sem o verde

Vou me esconder na televisão.

 

Ficar trancado no meu quarto

Pra não trancar meu coração

(Com o que vou ver lá fora...)

 

Baby, o sol não vai nascer

Quando acabar as árvores

Baby, o sol não vai se por

Quando acabar as árvores.

 

Baby, o sol......................!!!

 Não vai.....................!!!!

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – Outubro de 1989)

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

O ar e a gasolina no mar e na piscina


Quando somos empurrados pela vontade dos outros

Quando há alguém que facilita tudo, nos priva de ser

Nós nos enganamos e depois nos arrependemos

Desculpe o peso, o machado, a seca independência

Sucesso nos jornais que agora resistem em arquivos

A artista que fez arte, o compositor que se perdeu

Toda a glória que a circunstância, a paz não lhe deu

Com um martelo, um machado e uma foice aos vivos

Ninguém precisa de julgamentos nem mesmo de crivos

Nem de estigma político de ser evangélico ou viver ateu

Nas esquinas da vida, não há melhor ou pior do que eu

Somos divinos e pecadores enquanto estivermos vivos

Somos doces, salgados, azedos, cítricos; e substantivos

Com os adjetivos que nem os santos usaram e são seus

Com todos os meus; com os fariseus, filisteus e judeus

Guerra santa, onde se canta em nome de um “Deus”

A guerra fria continua entre os teus e os mesmos meus

A terra não chora só porque a gasolina pode se acabar

Ela só olha para a gente e pergunta: quais são os seus?

Suas alternativas para quando, na terra, a água acabar...

 


(Cristiano Jerônimo Valeriano – 24.08.2024 – Arcoverde/PE)

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Os povos germânicos da Bretanha



Os cavaleiros guerreiros pagãos

Tomaram de assalto os Celtas

O seu território pelos bretões

Pelos gaélicos e pictos, sermões

Província do Império Romano

Com a Escócia e os anglo-saxões.

 

Este é o nosso Reino Unido,

Até os dias atuais com Gales

Celtas e a Irlanda do Norte

Lutaram contra bretões, irlandeses,

Escoceses, galeses, dinamarqueses,

neerlandeses, frísios e alemães

Para formar tudo que hoje há.

 

Três tribos germânicas

- jutos, anglos e saxões –

Na busca por novas terras

encontraram áreas férteis

na Grã-Bretanha num todo

Mas que a guerra foi vista

Ataques dos povos germânicos

União de anglos, saxões e jutos

Expulsaram os celtas da sua terra

Com Galeses, Escócia, Cornualha

e a Bretanha francesa de então.

 

Século X, ataques viquingues

Trouxeram a unificação política

A custa de muito sangue no chão

Vidas de tribos ingevônicas,

Habitaram toda a Nordalbíngia,

Corresponde à terra Holsácia

Sobrepostos a área dos anglos

Os saxões estabeleceram

Os povos germânicos na Bretanha

No caos iniciado no século V.

Salve a Coroa Britânica

 

(Cristiano Jerônimo – 21.08.2024)

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Verossímil


Eu que me livrei

Da escravidão dos teus equívocos

Minha ficha se confirmou

E caiu totalmente.


Ninguém há de ser feliz

Permanecendo em histórias

Cujo final não há chances

De ser feliz...


Não fui só eu

Que contribuí.

Responsabilidade

Solidária.

 

Ninguém se cura sem cortar

A raiz do mal,

Sem se privar do que machuca

E contamina sua felicidade,

Do que ficar junto

Do que nos faz sofrer.

 

Ninguém volta a sorrir

Nos lugares

Onde a sua felicidade

Foi perdida, roubada,

Aviltada, negada.

 

Cair fora do que nos adoece

Sob pena

De morrerem

Nossos sonhos

De incomodar nossas vidas

Pois, morreremos sem sonhos

Sem planos...


Morreremos nós

Ainda que com vida

Por muitos dias

Por muitos anos...

Que definitivamente

São um passado

que morreu. 

 

(Cristiano Jerônimo – 15.08.2024)

domingo, 11 de agosto de 2024

Violência rural



Mais barulhentos

Do que operários

Em canteiro

De obras.

 

Mais saltimbancos

Do que trapalhões

Em filme de sucesso

De outrora.

 

Mais determinados

Do que estelionatários

Em dias de culpa

E complicações.

 

Violência urbana

Uma guerra rural

Que levou tantos sonhos

Muitos para o bem

outros ao mal.

 

Minha mira no alvo

Não me faz são e salvo

Mas ensina que a reação

É completamente normal

Minha paz e a vingança

Me faz, desde criança,

Achar isso tudo banal.

 

(Cristiano Jerônimo – 10.08.2024 – Recife/PE)

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Resoluções


Valeu a propaganda:

Oferecimento

De quem manda,

Na vida do outro

E tanto atrapalha.

 

(Nem tudo é

Como você quer.

Bote fé...)

 

Enganos na sala de estar

Na hora de comer

Na hora de sonhar

De estar contigo

Que estavas comigo

Num sistema “amigo”.

 

Dois enganados

Sem saídas

Para estar agasalhados

No frio

E no calor intenso

Da queda do rio.

 

(Nem tudo é

Como você quer.

Bote fé!)

 

Não há castigo

Nem ilusões

No creo em perdões

No creo em culpas

As catapultas

Nos lançam ao mundo

Não tem mais lutas

Para enfrentar.

 

(Nem tudo é

Como você quer.

Bote fé!)

 

Acabou a nossa vida

Com um fim de tarde

Que nunca teve por

Nunca escureceu

Também não clareou

Por isso, nos libertamos

Do que nos fazia mal

Mas é bom saber

Que tudo isso é normal

Até o que nos tira do sério.

 

(Nem tudo pode ser.

Pode crer)

 

A sapiência e os degraus

Respeitados os abismos

Uma menina e um menino

Nas reticências do destino

Que não tem dono nem vai

Sem boa vontade não se faz

Assim a comunhão vai e jaz

Superada e capaz

De transpor religiões

Esquecendo os corações.

 

 

(Cristiano Jerônimo – Valeriano | 090824)

As feras que somos

Ao Boqueirão da Barra O disco acaba, mas o samba segue solto Sempre tem a festa do pessoal do morro Carne assada e sangue no pandeiro ...