sexta-feira, 26 de maio de 2017

Nuit

Raul e Kika Seixas, sua última esposa e grande entusista da sua obra

Eu, eu ando de passo leve pra não acordar o dia 
Sou da noite a companheira mais fiel qu'ela queria!
Yeah, yeah, yeah, yeah! 
Amo a guerra, adoro o fogo
Elemento natural do jogo, senhores: 
Jamais me revelarei! Jamais me revelarei! 
Eu, eu ando de passo leve pra não acordar o dia 
Sou da noite a companheira mais fiel qu'ela queria!
Yeah, yeah, yeah, yeah! 
E quão longa é a noite. 
A noite eterna do tempo 
Se comparado ao curto sonho da vida 
Chega enfeitando de azul 
a grande amante dos homens 
Guardando do sol, seu beijo incomum..... ah! 
Seja bom ou o que não presta 
Acendo as luzes para nossa festa, senhores: 
Eu sou o mistério do sol! Eu sou o mistério do sol! 
Eu, eu ando de passo leve pra não acordar o dia 
Sou da noite a companheira mais fiel qu'ela queria!
Yeah, yeah, yeah, yeah! 
Mas é com o sol que eu divido toda a minha energia 
Eu sou a noite do tempo. Ele é o dia da vida 
Ele é a luz que não morre quando chego e anoiteço 
O sol dos dois horizontes a mais perfeita
harmonia..... 
Eu, eu ando de passo leve pra não acordar o dia



(Kika Seixas/Raul Seixas)

terça-feira, 23 de maio de 2017

Para você dormir


Nasce na manhã
Com aquele sutiã
De belos babados
E as rendas pueris
Destes teus quadris;
De mulher novilha
Uma estrela que brilha
Neste carnaval doce.

Sempre de manhã,
Como uma cortesã.
Teus sapatos
Seguem os passos
Que se apagam
Madrugada, matinal.
Neste maracatu louco
Que hipnotiza os segredos.

À tarde e à noite,
Finais de semana,
Você descansa.
E quando dorme,
Parece uma criança.
E eu amo te ninar;
Pegar no teu bumbum
Para você dormir, te balançar.



(Cristiano Jerônimo – 23.05.2017)

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Os mouros do sertão


Eu sou do solo do pé rachado.
Onde hidratante não dá jeito.
Sou pé trincado do próprio solo;
Do colo da flor que brota no leito.

Nos braços de um inóspito mandacaru.

Meu semblante encarquilhado
Pelo sol todo queimado, o crivo.
E a certeza de que vai chover
Neste bioma iluminado, vivo.

Nos braços de um inóspito mandacaru.

Repito, de onde venho, cachoeiras
São de vento, poeira, pedra e sal.
Ainda temos toda a beleza de sermos
Seres do bem que combatem o mal.

Nos braços de um inóspito mandacaru.

Sou sertanejo culto e rude à injustiça
Sou descendente de camponeses
Sou de uma linhagem de holandeses
Misturado com os mouros do sertão.

Nos braços de um grande Tamboril;

Matando a sede sob um bom umbuzeiro
Comendo rapadura debaixo de um juazeiro
A raspa de queijo de manteiga e a farofa;
O Sertão é lindo, mesmo com a seca que assola.




(Cristiano Jerônimo)

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Miséria e sonhos


Já estou cansado
De ter que ficar calado;
Mesmo tendo a razão,
Tudo está comprovado.

Fiel! Ninguém vai se salvar.
Ouvi ontem mesmo no rádio
E assisti detalhes na televisão.
Você tem dúvidas em acreditar?

Quantos Brasis vi em 42 anos...
Incrível. Foram todos enganos
Planos mirabolantes e roubos
Desemprego, miséria e sonhos.

Desafiam sociólogos de bares
Tira sono de operários nos lares
Mergulhados num país moeda:
Numa face, o ogro; noutra a poeta.



segunda-feira, 8 de maio de 2017

Extremo


Esse calendário gregoriano
Esse relógio ponteiro suíço
Não nos fala sobre os anos
Mas exigem metas e planos

Na velocidade da rede 30
Os extremos se aproximam
Os esquecidos se eternizam
E os macacos usam as tintas

Essas datas católicas históricas
São Benedito da mesma retórica
Gostar sem ser correspondido
E ainda ter capacidade de amar

Não há mais egípcio lutando
Abaixo do Mar Vermelho
Nem há mais tolos índios
Se encantando com espelho

Práticas de assalto ao fraco
Natureza da própria fraqueza
Que veem o brilho da riqueza
E não sabem nem administrar.


Cristiano Jerônimo

Paz de espírito


O que fazer 
quando somente 
a mágoa preenche
a dor e o vazio...
Tenebrosos
Calafrios...

E o frio a só
Refrigera
Alma gêmea
Que perdeu
Seu irmão...

Deixe o verde
Da mata e o luar
Entrar-lhe na alma
E lhe transformar.
Te ensinar...

A usar a dor e o vazio
Para crescer e ver apenas
Que o nada é mesmo impreenchível
E a paz de espírito é bem melhor...


(Cristiano Jerônimo)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Versos simples


Versos simples
Falam de timbres
Dourados e azuis;
Colmeias de borboletas...

Fala macia
Versos de aço
Veem pedaços de vida
Na palma da própria mão.
A cigana reverencia
Seu deus condenado
Por um tolo pecado
Que a igreja criou...

“Bruxas” curam, elixires.
Já as fadas nunca fazem nada.
Se garantem sempre na varinha
De condão e seus poderes pueris.

No país
dos versos
simples,
cadência,
música
e essência,
Não há espaço
Só frequência...

terça-feira, 2 de maio de 2017

Gratidão


Para aqueles que nos deram as costas,
Temos amigos que nos deram a mão...

Para aqueles que não entendem e julgam,
Temos o preço livre da liberdade e da vida.

Fazemos tudo pra fechar nossas feridas,
Crônicas, agudas, fruto do estresse dos dias.

Junto com a corrosão do ferro da maresia,
Amores foram oxidados pelo vento do sul.

Que pôs fim, levou, que foi ruim e foi bom.
Não era mesmo amor o fruto da paixão...

Para aqueles que nos estendem a mão,
Temos todo o afeto e a devida gratidão.




(Cristiano Jerônimo)

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O contraditório



Te enxerguei na neblina.
Uma névoa com ventania.
Encontrei em frente ao mar,
Beijei tua boca sabor de sal.

O vento dissipou e eu entrei.
A porta estava aberta, eu sei.
Cada um se garante em tese,
Sem contar com o que não fez.

O medo sem frio na barriga,
O contraditório sem intriga,
Mergulho sem nenhum medo
Dentro de um espelho d’água.

Cuidado com o outro, atento...
Como se tivesse cuidando de si.
Cuide de você também sem dó.
Para que alegria não dê um nó.

Quando dizes que sabes e tal
Penso no que a mente produz.
Afaste-se tudo que faz o mal
E que a estrada irradie a luz...





(Cristiano Jerônimo)

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Se alternam



Cataclismos, seca e procelas
Água que não brota da serra
Bicho que não bebe e morre,
Até a onça vai comer os bodes.

Noutra metade da década, água
Sua queda é como chuva de ouro.
Com a minha avó, conheci anáguas
E com meu avô, a amansar touros.

O sertão, na verdade, é composto
Por dois sertões que se alternam.
Um que massacra e mata o bioma,
Outro que é paraíso e sempre soma.

Gado que morre. Vidas de colarinho.
Gente que morre. Morre sozinho.
Tem gente que não tem vizinho
E os mísseis nucleares são diversão.

Ninguém me engana neste cenário
Estou entre o “nunca” e o “é o jeito”;
Não aquele poder que acaba o Rio
E a cidade de Afogados da Ingazeira,
No Sertão.


(Cristiano Jerônimo)

segunda-feira, 24 de abril de 2017

O rumo do remo


O rombo está no roubo,
Não tem nem como se livrar.
O dono do poder está louco.
Com um afeto distorcido no ar.

Mas se o roubo aumenta o rombo
Abrir os olhos, frio e sem paixões
As coisas são como elas são e são...
O rumo do remo só você pode dar.

Convidamos policiais armados
Todos pra ficar do nosso lado
Pra lutar pelas melhorias sociais.
Mudar decisões absurdas e nefastas.

Se o que está embaixo é o de cima,
Eu vou primeiro porque tô atrasado.
Perdido no gelo desta sala e o clima;
Ah! Desse jeito, eu tô ficando aperreado.

Grileiro mata, garimpeiro mata, o ouro;
Cinta Larga vende diamantes para fora.
A motosserra tem voz e apetite de leão.
Saúde-se Chico, Irmã Dorothy, os Nortes.

(isso tudo sempre valerá a pena...?)


(Cristiano Jerônimo)

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Um cangaço de afeto


Sede na subida da serra,
Água de cabaça pra beber.
E a capemba do caldeirão
Vem do pé de coco catolé.

Esses brejos de altitudes...
Deviam descer pra caatinga.
Esses brejos de altitudes...
Frios, mata densa no sertão.

Olhos d’agua na estrada
Grota com água corrente
Mentira que era rachado
E seco que só televisão.

É tão curta essa distância
Que a gente anda calado.
Aprendemos na infância
a nunca ficar de dois lados.

Esses brejos de altitude...
Deviam descer pra caatinga.
Esses brejos de altitude...
Frios, a riqueza do sertão.



(Cristiano Jerônimo)

terça-feira, 18 de abril de 2017

Não sobra nada

Para o crime, usam balas
Para o jogo, vivem blefes
E toda vez que a gente cala,
O baú é assaltado pelos chefes.

Para a revolta, cassetetes e gás.
Sem saber que somos todos iguais;
E, para ser bem quisto lá em cima,
Só precisa mudar o enredo da rima.

Mas são versos caticocos demais
Para serem reais e dizerem o real.
As palavras bombardeiam ao lado,
No escrito, no que é visto e falado.

A manipulação das boas notícias velhas;
As novas ainda virão. Estão guardadas.
Para o dia em que Comissão da Verdade
Resolva descobrir porque não sobra nada.




(Cristiano Jerônimo)

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Confeito do Santo Amarão

Não sei mais se corro da polícia ou do ladrão.
O Estado garante o discurso para a população.
Sinto efeitos, ouço “quem são eles?”.
“Quem eles pensam que são?”.

Porque a bala é de borracha, mas mata.
Sob o comando de qualquer tirano.
Que se esconde atrás de uma farda
E não entende nosso direito de lutar.

A bala foi mirada no sexo do rapaz,
Que levou tapa na cara depois de ferido.
Seria tudo muito corriqueiro e em paz,
Mas a revolta da família e amigos reunidos.

A banda podre entra nos becos das comunidades
Desde quando eram veraneios, preto e branco;
Fuscas com uma sirene ligada em plena operação.
A padaria, que era boa, dava lanche aos soldados.
Que matam quem querem com munição do Estado.

Aliás, pra que servem os soldados formados pra morte?
O que os investimentos no espaço resolvem de concreto?
Quanto custa – todos têm que ter – uma ogiva nuclear?
Qual o segredo da realidade que habita em nossa mente?





(Cristiano Jerônimo)

domingo, 9 de abril de 2017

Terra firme



As cartas náuticas
para mergulhar.
pessoas não têm;
elas são enigmáticas.

as bússolas indicam
a direção das barcas,
das antigas caravelas;
coordenadas do navio.

Os mastros do vento
da vela que leva no mar.
A embarcação lusitana
E uma cigana escondida.

Como era navegar no mar
imenso e revolto em 1498?
Quando estavas lá à deriva,
pedistes ajuda aos outros.

O mais é aportar num cais
e sentir a segurança de estar
num lugar de passagem
mas com ar de terra firme.



(Cristiano Jerônimo)

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Analina bailarina

Analina bailarina
Era uma menina
Viciada em Ritalina.
Ana linda sem sina;
Mergulhando na maré
Puxada para o rio.
Podre o Beberibe,
Intocável Capibaribe.

Analina baila no barco
Entres tantas barcaças
Da vida deste rio morto.
No Cais da Aurora
E nos Coelhos,
Catamarãs
Só mostram
Os belas pontos
E os palácios do poder.

Analina rebola no píer
Segura a corrente
Do navio e quer zarpar.
Quer atravessar o oceano
Dar um salto no engano
E transpor-se a pular.

Analina tem um cavalo
Prateado. Loura crina
Que segura esta menina
E ensina-lhe a galopar.
Seu galope é certeiro
Cai nos braços do vaqueiro
E vem da América aboiar.



(Cristiano Jerônimo)

sábado, 1 de abril de 2017

Tranças de teias


Ai meu Deus, como está difícil!
Encontrar uma gata para namorar.
Não sei se é porque não é possível
Existir duas pessoas iguais para amar...

Misericórdia meu Pai, são só dois.
E tanto sacrifício de todos os suplícios.
Mande grana que a onda é muito cara.
Custa cabelos, alfinetes, vudus e sorrisos.

Postos em minha frente vendo fuga e vazio,
Sentindo no peito o frio que ainda é frio
E vislumbrando o sol que já conheço há anos.
Onde, muitas vezes, refiz os seus planos.

Se não me acalmo, me acho com o canto do mar
Presenciando estrelas, aviões e as luas cheias;
Calma! Também não precisa gritar para ouvir-se;
Nem se ocupar em trabalhar com tranças de teias.




(Cristiano Jerônimo)

terça-feira, 28 de março de 2017

Tempo, tempo, tempo...


O teu belo de saber...
Combustível pra viver
Do que aprendi de bom;
De ter prazer só em estar.

Teus lábios molhados...
São pontinhas de língua
Que passam e contam papel,
Em branco, para escrever
e pintar.

Teus olhos são verdes
Do florescer do mel.
Na varanda, uma rede.
E tantas serras..., serras...

Os teus mistérios e lendas
São tuas histórias, e até mais.
Fundamental a nossa loucura
E o tempo, tempo, tempo, tempo...

(Cristiano Jerônimo - 28.03.2017)

terça-feira, 21 de março de 2017

Os contraditórios

(Vamos lá!)

Os psicotrópicos,
A contradição.
Esses propósitos
Uma outra ação
Positiva!
Altiva,
Umalternativa.
Uma solução.

Pra que
As partes vivas
Sejam positivas
Mais que uma canção.
Para que
Os sonhos ruins
Não venham mais;
Que o coração
Encontre a paz.

Os hipnóticos,
Os anestésicos,
As dores estéreis
E as cicatrizes
De Helena...
Sempre flertaram
Com a papoula
Da ilusão.
Que pena...

Os escritos
Seculares,
Os livros mais sagrados
Estimulam em nós a coragem
De trilhar essa jornada
Para chegar a um lugar
Tão difícil de encontrar.
Mas que vamos chegar lá!




)Cristiano Jerônimo(

sexta-feira, 17 de março de 2017

A testado

A cidadania, a astúcia e a arrogância.
A compaixão, o respeito e a nobreza.
A inveja, o egoísmo e a ganância.
Resignação, otimismo e esperança.

O medo, a fé, segredos, Santa Sé
Animais evolutivos, homem, mulher.
As chagas do orgulho então queimam;
As do amor como bálsamo aliviam.

A falta de lógica desta sociedade
A mentira, o disfarce e a verdade.
A luta pela tranquilidade da cidade
E por um grito abafado popular.

A mágoa, a indolência e a escravidão
Superam os muros e senzalas.
Estão aí pelas casas, hospitais em vão;
Alguma forma de tentar capturá-las.

O sonho, a utopia, e o propósito
Ferramentas para alta performance
E, com elas, um grande desempenho
Para se obter um atestado de óbito.



(Cristiano Jerônimo – 17.03.2017)

Nuit

Raul e Kika Seixas, sua última esposa e grande entusista da sua obra Eu, eu ando de passo leve pra não acordar o dia   Sou da noite ...