quinta-feira, 20 de julho de 2017

Todas as tochas da paz

Vamos
Que a cadeia
Não é lugar
Pra gente não!...

Mas tem uns homens
Que roubam a gente
E vivem contentes
Com seus poderes,
Cumprindo pena
Numa puta mansão.

Como nunca andei distante,
Penso em partir auto exilado.
Cansar disso tudo já descrente,
Eu também mudo o país de lado.

“Murro em ponta de faca”. Já dei!
Muito mais do que podia imaginar.
Do pressuposto de que nada eu sei,
Foi que aprendi a entender e sonhar.

Com os livros, palácios na paisagem;
Um mar que bate líquido em rochas,
Nas cores robustas das lindas auroras.
Na floresta que acende todas as tochas.




(Cristiano Jeronimo – 20.07.2017)

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Espelho para olhar


Presente de grego
é um Cavalo de Tróia.
Presente de Congresso
É nosso braço na tipoia;
Presente de índio agora
Não tem espelho ou olhar.

Negócio de chinês é bom
A roleta gira como um furacão.
O Dudu vem barato bombom
É que veio da China e é falso;
Eles sabem como se deve fazer.

Negócio brasileiro, pode esperar!
Viajar o mundo inteiro sem dinheiro
                      pra pagar...
O petróleo que era nosso está sendo
                                                protestado
Nos altos tribunais dos Estados Unidos.
As ações que eram boas viraram insônia.
E nós estamos, na incerteza, aturdidos...



(Cristiano J. 17.07.2017)

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Simbólica queda do boi


De vez em quando,
Karla sai do normal.
O seu lindo encanto,
Fuga p’outro canto.
E, em meio, aos desencantos,
De alegrias, ela sorri e chora.
Depois volta tudo ao mesmo ponto
E, mesmo que ela não esteja pronta,
Karla mantém o cartaz em toda a cidade
Karla esquece numa velocidade...
Karla!
Fica aqui na paz sem neuroses e fobias
Na verdade, isso faz parte do destino dos teus dias;
Transformar remédio em veneno,
Suportado porque o norte é glacial.
Este é um conselho dado;
O próximo será cobrado.
Consultoria da nossa vida espiritual.
- Karla, vai no Centro Espírita, se cuida!
“Não existe nada depois da morte” –
Se escuta da querida e muito doida criatura.
Mas uma coisa é certa e verdadeira,
Ninguém viverá durante a vida inteira.
E o tempo é curto para amar e olhar.
Para dar para o outro um pouco das nossas besteiras.
- Besteira, meu irmão!
- Não sei mais quem é homem de bem.
- Aparecem mais de 200 cordas de ladrões.
Vamos voar, morar no ar, correr o campo
Com cheiro de mato, e um bezerro engordado,
Lembrando a simbólica queda do boi.
Na cocheira da lembrança de um beira-rio
Na cachoeira do Capibaribe, queria me banhar.
Karla é da fazenda. Vive e trabalha lá.


(Cristiano Jerônimo)


quinta-feira, 22 de junho de 2017

PISA DE CIPÓ DE CANSANÇÃO


(No espinhaço dos ladrões desta Nação)

Na esquina, um pipoco...
Eco do topo da pirâmide,
Das árvores mal plantadas
Para frutos que nos assustam.

Vítimas culpadas e desespero
As matilhas secam o sangue
Como políticos chupa-cabras
Não deixam o povo criar asas.

Na província desta metrópole,
As tradições são contradições.
O ente donatário e poderoso
O chefe não serve para chefiar.

Perdoe-me. Não são só críticas.
Elogiar o obrigatório também.
E pago não é obrigação nenhuma.
Já é demais para nossa planície,
Se iludir com a máfia e a sandice.

A máfia mora ali nas repartições,
Sede dos poderes constituídos...
Sede da nossa falácia tida “Nação”.
Os caramujos vão voar como lagartas
Os sertanejos calçarão as alpercatas.
Cada um com um bacamarte
Invocando Antônio Conselheiro,
Lampião, a dar uma pisa de cansanção
No espinhaço de cada um desses
Empedernidos e cruéis, que roubam
O que a gente leva anos para trabalhar.

                      ####### 

Aquele velho Vandré já nos dizia:
“É a volta do cipó de aroeira
no lombo de quem mandou dar!”.



(Cristiano Jerônimo – 21.06.17)




domingo, 11 de junho de 2017

O julgamento da sociedade


Como a sexta-feira cobra de mim,
A segunda-feira cobra também...
A fatura do cartão venceu e ele voou
De manhã, esbaforido, ele voltou.

Porque a vida agora é se endividar
Para depois ter que se virar e pagar.
Trabalhar o dia inteiro sem descanso
E na hora de receber parece engano...

Como a vida cobra muito de mim,
A morte, soturna, cobra também.
Propaganda chamando o funeral;
A gente comprando um lugar ideal.

O espírito e outros sutis anjos e seus
Te perguntam se tu clamas por Deus.
Ou se tens duas velas acesas, covardes,
Até o dia em que tu se arrependeres.

Mudança vem com o passar do tempo
E a alegria é um susto intermitente/dia
A tristeza e a solidão desnecessárias,
O julgamento da sociedade sem ressalvas.



(Cristiano Jerônimo – 08.06.2017)

quarta-feira, 7 de junho de 2017

PASSOS DA ESCADA SEM DEGRAUS


Crise, ela agora mora na marquise
E ele vem todo dia esquentar-lhe.
Planeta em procela indescritível,
Povos leva a terra abaixo do chão.

Crise, agora também meio liso;
A sorte é fundir contas e sorrisos.
A ilusão faz parte do medo de ir;
E coragem é a pura arte de amar.

Luz, dá vida a tudo o que conduz.
A mesa está posta e não há nada
Que a gente possa lhe oferecer.
Estava a lutar muito por outro dia.

Luz, mais que ouro é o que reluz.
Corrida pelas serras peladas da vida;
Sem saber que o ouro é e será ilusão,
Nas mãos de quem mais se endivida.

Afeto, para todos ficarem mais quietos.
Roberto, vai chamar o Erasmo Carlos.
Toda vida tem o seu bolero e dança...
A gente cai, se levanta e não se cansa.


(Cristiano Jerônimo - 06.06.2017)

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Genuflexório


É no genuflexório
Da cadeira da analista
Que confesso o indizível
Como quem mente para o padre.

Uma mudança de abordagem
Uma outra reciclagem;
De Freud a Lacan,
Às dez horas da manhã.
(Toda terça no divã).

Esvaziar para depois encher
Colocar as toxinas para fora
Ver a soma das coisas do dia a dia
Para que não seja levada pela maresia.

É na mesa do jantar onde mais brilha
A intensidade da luz de cada um.
É no pisar de seguir adiante a trilha
Que possa levar a gente a algum lugar.

Volto ao genuflexório da sala da analista.
(Imploro ao padre que segure e resista).
E só confesso às paredes, com seus ouvidos
E A emparedada da Rua Nova, Boa Vista.

O tempo vai passar; há de muito melhorar;
Vamos seguir com fé nesse nosso caminhar.




(Cristiano Jerônimo)

terça-feira, 23 de maio de 2017

Para você dormir


Nasce na manhã
Com aquele sutiã
De belos babados
E as rendas pueris
Destes teus quadris;
De mulher novilha
Uma estrela que brilha
Neste carnaval doce.

Sempre de manhã,
Como uma cortesã.
Teus sapatos
Seguem os passos
Que se apagam
Madrugada, matinal.
Neste maracatu louco
Que hipnotiza os segredos.

À tarde e à noite,
Finais de semana,
Você descansa.
E quando dorme,
Parece uma criança.
E eu amo te ninar;
Pegar no teu bumbum
Para você dormir, te balançar.



(Cristiano Jerônimo – 23.05.2017)

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Os mouros do sertão


Eu sou do solo do pé rachado.
Onde hidratante não dá jeito.
Sou pé trincado do próprio solo;
Do colo da flor que brota no leito.

Nos braços de um inóspito mandacaru.

Meu semblante encarquilhado
Pelo sol todo queimado, o crivo.
E a certeza de que vai chover
Neste bioma iluminado, vivo.

Nos braços de um inóspito mandacaru.

Repito, de onde venho, cachoeiras
São de vento, poeira, pedra e sal.
Ainda temos toda a beleza de sermos
Seres do bem que combatem o mal.

Nos braços de um inóspito mandacaru.

Sou sertanejo culto e rude à injustiça
Sou descendente de camponeses
Sou de uma linhagem de holandeses
Misturado com os mouros do sertão.

Nos braços de um grande Tamboril;

Matando a sede sob um bom umbuzeiro
Comendo rapadura debaixo de um juazeiro
A raspa de queijo de manteiga e a farofa;
O Sertão é lindo, mesmo com a seca que assola.




(Cristiano Jerônimo)

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Miséria e sonhos


Já estou cansado
De ter que ficar calado;
Mesmo tendo a razão,
Tudo está comprovado.

Fiel! Ninguém vai se salvar.
Ouvi ontem mesmo no rádio
E assisti detalhes na televisão.
Você tem dúvidas em acreditar?

Quantos Brasis vi em 42 anos...
Incrível. Foram todos enganos
Planos mirabolantes e roubos
Desemprego, miséria e sonhos.

Desafiam sociólogos de bares
Tira sono de operários nos lares
Mergulhados num país moeda:
Numa face, o ogro; noutra a poeta.



segunda-feira, 8 de maio de 2017

Extremo


Esse calendário gregoriano
Esse relógio ponteiro suíço
Não nos fala sobre os anos
Mas exigem metas e planos

Na velocidade da rede 30
Os extremos se aproximam
Os esquecidos se eternizam
E os macacos usam as tintas

Essas datas católicas históricas
São Benedito da mesma retórica
Gostar sem ser correspondido
E ainda ter capacidade de amar

Não há mais egípcio lutando
Abaixo do Mar Vermelho
Nem há mais tolos índios
Se encantando com espelho

Práticas de assalto ao fraco
Natureza da própria fraqueza
Que veem o brilho da riqueza
E não sabem nem administrar.


Cristiano Jerônimo

Paz de espírito


O que fazer 
quando somente 
a mágoa preenche
a dor e o vazio...
Tenebrosos
Calafrios...

E o frio a só
Refrigera
Alma gêmea
Que perdeu
Seu irmão...

Deixe o verde
Da mata e o luar
Entrar-lhe na alma
E lhe transformar.
Te ensinar...

A usar a dor e o vazio
Para crescer e ver apenas
Que o nada é mesmo impreenchível
E a paz de espírito é bem melhor...


(Cristiano Jerônimo)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Versos simples


Versos simples
Falam de timbres
Dourados e azuis;
Colmeias de borboletas...

Fala macia
Versos de aço
Veem pedaços de vida
Na palma da própria mão.
A cigana reverencia
Seu deus condenado
Por um tolo pecado
Que a igreja criou...

“Bruxas” curam, elixires.
Já as fadas nunca fazem nada.
Se garantem sempre na varinha
De condão e seus poderes pueris.

No país
dos versos
simples,
cadência,
música
e essência,
Não há espaço
Só frequência...

terça-feira, 2 de maio de 2017

Gratidão


Para aqueles que nos deram as costas,
Temos amigos que nos deram a mão...

Para aqueles que não entendem e julgam,
Temos o preço livre da liberdade e da vida.

Fazemos tudo pra fechar nossas feridas,
Crônicas, agudas, fruto do estresse dos dias.

Junto com a corrosão do ferro da maresia,
Amores foram oxidados pelo vento do sul.

Que pôs fim, levou, que foi ruim e foi bom.
Não era mesmo amor o fruto da paixão...

Para aqueles que nos estendem a mão,
Temos todo o afeto e a devida gratidão.




(Cristiano Jerônimo)

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O contraditório



Te enxerguei na neblina.
Uma névoa com ventania.
Encontrei em frente ao mar,
Beijei tua boca sabor de sal.

O vento dissipou e eu entrei.
A porta estava aberta, eu sei.
Cada um se garante em tese,
Sem contar com o que não fez.

O medo sem frio na barriga,
O contraditório sem intriga,
Mergulho sem nenhum medo
Dentro de um espelho d’água.

Cuidado com o outro, atento...
Como se tivesse cuidando de si.
Cuide de você também sem dó.
Para que alegria não dê um nó.

Quando dizes que sabes e tal
Penso no que a mente produz.
Afaste-se tudo que faz o mal
E que a estrada irradie a luz...





(Cristiano Jerônimo)

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Se alternam



Cataclismos, seca e procelas
Água que não brota da serra
Bicho que não bebe e morre,
Até a onça vai comer os bodes.

Noutra metade da década, água
Sua queda é como chuva de ouro.
Com a minha avó, conheci anáguas
E com meu avô, a amansar touros.

O sertão, na verdade, é composto
Por dois sertões que se alternam.
Um que massacra e mata o bioma,
Outro que é paraíso e sempre soma.

Gado que morre. Vidas de colarinho.
Gente que morre. Morre sozinho.
Tem gente que não tem vizinho
E os mísseis nucleares são diversão.

Ninguém me engana neste cenário
Estou entre o “nunca” e o “é o jeito”;
Não aquele poder que acaba o Rio
E a cidade de Afogados da Ingazeira,
No Sertão.


(Cristiano Jerônimo)

segunda-feira, 24 de abril de 2017

O rumo do remo


O rombo está no roubo,
Não tem nem como se livrar.
O dono do poder está louco.
Com um afeto distorcido no ar.

Mas se o roubo aumenta o rombo
Abrir os olhos, frio e sem paixões
As coisas são como elas são e são...
O rumo do remo só você pode dar.

Convidamos policiais armados
Todos pra ficar do nosso lado
Pra lutar pelas melhorias sociais.
Mudar decisões absurdas e nefastas.

Se o que está embaixo é o de cima,
Eu vou primeiro porque tô atrasado.
Perdido no gelo desta sala e o clima;
Ah! Desse jeito, eu tô ficando aperreado.

Grileiro mata, garimpeiro mata, o ouro;
Cinta Larga vende diamantes para fora.
A motosserra tem voz e apetite de leão.
Saúde-se Chico, Irmã Dorothy, os Nortes.

(isso tudo sempre valerá a pena...?)


(Cristiano Jerônimo)

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Um cangaço de afeto


Sede na subida da serra,
Água de cabaça pra beber.
E a capemba do caldeirão
Vem do pé de coco catolé.

Esses brejos de altitudes...
Deviam descer pra caatinga.
Esses brejos de altitudes...
Frios, mata densa no sertão.

Olhos d’agua na estrada
Grota com água corrente
Mentira que era rachado
E seco que só televisão.

É tão curta essa distância
Que a gente anda calado.
Aprendemos na infância
a nunca ficar de dois lados.

Esses brejos de altitude...
Deviam descer pra caatinga.
Esses brejos de altitude...
Frios, a riqueza do sertão.



(Cristiano Jerônimo)

terça-feira, 18 de abril de 2017

Não sobra nada

Para o crime, usam balas
Para o jogo, vivem blefes
E toda vez que a gente cala,
O baú é assaltado pelos chefes.

Para a revolta, cassetetes e gás.
Sem saber que somos todos iguais;
E, para ser bem quisto lá em cima,
Só precisa mudar o enredo da rima.

Mas são versos caticocos demais
Para serem reais e dizerem o real.
As palavras bombardeiam ao lado,
No escrito, no que é visto e falado.

A manipulação das boas notícias velhas;
As novas ainda virão. Estão guardadas.
Para o dia em que Comissão da Verdade
Resolva descobrir porque não sobra nada.




(Cristiano Jerônimo)

Todas as tochas da paz

Vamos Que a cadeia Não é lugar Pra gente não!... Mas tem uns homens Que roubam a gente E vivem contentes Com seus poder...