quinta-feira, 20 de abril de 2017

Um cangaço de afeto


Sede na subida da serra,
Água de cabaça pra beber.
E a capemba do caldeirão
Vem do pé de coco catolé.

Esses brejos de altitudes...
Deviam descer pra caatinga.
Esses brejos de altitudes...
Frios, mata densa no sertão.

Olhos d’agua na estrada
Grota com água corrente
Mentira que era rachado
E seco que só televisão.

É tão curta essa distância
Que a gente anda calado.
Aprendemos na infância
a nunca ficar de dois lados.

Esses brejos de altitude...
Deviam descer pra caatinga.
Esses brejos de altitude...
Frios, a riqueza do sertão.



(Cristiano Jerônimo)

terça-feira, 18 de abril de 2017

Não sobra nada

Para o crime, usam balas
Para o jogo, vivem blefes
E toda vez que a gente cala,
O baú é assaltado pelos chefes.

Para a revolta, cassetetes e gás.
Sem saber que somos todos iguais;
E, para ser bem quisto lá em cima,
Só precisa mudar o enredo da rima.

Mas são versos caticocos demais
Para serem reais e dizerem o real.
As palavras bombardeiam ao lado,
No escrito, no que é visto e falado.

A manipulação das boas notícias velhas;
As novas ainda virão. Estão guardadas.
Para o dia em que Comissão da Verdade
Resolva descobrir porque não sobra nada.




(Cristiano Jerônimo)

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Confeito do Santo Amarão

Não sei mais se corro da polícia ou do ladrão.
O Estado garante o discurso para a população.
Sinto efeitos, ouço “quem são eles?”.
“Quem eles pensam que são?”.

Porque a bala é de borracha, mas mata.
Sob o comando de qualquer tirano.
Que se esconde atrás de uma farda
E não entende nosso direito de lutar.

A bala foi mirada no sexo do rapaz,
Que levou tapa na cara depois de ferido.
Seria tudo muito corriqueiro e em paz,
Mas a revolta da família e amigos reunidos.

A banda podre entra nos becos das comunidades
Desde quando eram veraneios, preto e branco;
Fuscas com uma sirene ligada em plena operação.
A padaria, que era boa, dava lanche aos soldados.
Que matam quem querem com munição do Estado.

Aliás, pra que servem os soldados formados pra morte?
O que os investimentos no espaço resolvem de concreto?
Quanto custa – todos têm que ter – uma ogiva nuclear?
Qual o segredo da realidade que habita em nossa mente?





(Cristiano Jerônimo)

domingo, 9 de abril de 2017

Terra firme



As cartas náuticas
para mergulhar.
pessoas não têm;
elas são enigmáticas.

as bússolas indicam
a direção das barcas,
das antigas caravelas;
coordenadas do navio.

Os mastros do vento
da vela que leva no mar.
A embarcação lusitana
E uma cigana escondida.

Como era navegar no mar
imenso e revolto em 1498?
Quando estavas lá à deriva,
pedistes ajuda aos outros.

O mais é aportar num cais
e sentir a segurança de estar
num lugar de passagem
mas com ar de terra firme.



(Cristiano Jerônimo)

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Analina bailarina

Analina bailarina
Era uma menina
Viciada em Ritalina.
Ana linda sem sina;
Mergulhando na maré
Puxada para o rio.
Podre o Beberibe,
Intocável Capibaribe.

Analina baila no barco
Entres tantas barcaças
Da vida deste rio morto.
No Cais da Aurora
E nos Coelhos,
Catamarãs
Só mostram
Os belas pontos
E os palácios do poder.

Analina rebola no píer
Segura a corrente
Do navio e quer zarpar.
Quer atravessar o oceano
Dar um salto no engano
E transpor-se a pular.

Analina tem um cavalo
Prateado. Loura crina
Que segura esta menina
E ensina-lhe a galopar.
Seu galope é certeiro
Cai nos braços do vaqueiro
E vem da América aboiar.



(Cristiano Jerônimo)

sábado, 1 de abril de 2017

Tranças de teias


Ai meu Deus, como está difícil!
Encontrar uma gata para namorar.
Não sei se é porque não é possível
Existir duas pessoas iguais para amar...

Misericórdia meu Pai, são só dois.
E tanto sacrifício de todos os suplícios.
Mande grana que a onda é muito cara.
Custa cabelos, alfinetes, vudus e sorrisos.

Postos em minha frente vendo fuga e vazio,
Sentindo no peito o frio que ainda é frio
E vislumbrando o sol que já conheço há anos.
Onde, muitas vezes, refiz os seus planos.

Se não me acalmo, me acho com o canto do mar
Presenciando estrelas, aviões e as luas cheias;
Calma! Também não precisa gritar para ouvir-se;
Nem se ocupar em trabalhar com tranças de teias.




(Cristiano Jerônimo)

terça-feira, 28 de março de 2017

Tempo, tempo, tempo...


O teu belo de saber...
Combustível pra viver
Do que aprendi de bom;
De ter prazer só em estar.

Teus lábios molhados...
São pontinhas de língua
Que passam e contam papel,
Em branco, para escrever
e pintar.

Teus olhos são verdes
Do florescer do mel.
Na varanda, uma rede.
E tantas serras..., serras...

Os teus mistérios e lendas
São tuas histórias, e até mais.
Fundamental a nossa loucura
E o tempo, tempo, tempo, tempo...

(Cristiano Jerônimo - 28.03.2017)

terça-feira, 21 de março de 2017

Os contraditórios

(Vamos lá!)

Os psicotrópicos,
A contradição.
Esses propósitos
Uma outra ação
Positiva!
Altiva,
Umalternativa.
Uma solução.

Pra que
As partes vivas
Sejam positivas
Mais que uma canção.
Para que
Os sonhos ruins
Não venham mais;
Que o coração
Encontre a paz.

Os hipnóticos,
Os anestésicos,
As dores estéreis
E as cicatrizes
De Helena...
Sempre flertaram
Com a papoula
Da ilusão.
Que pena...

Os escritos
Seculares,
Os livros mais sagrados
Estimulam em nós a coragem
De trilhar essa jornada
Para chegar a um lugar
Tão difícil de encontrar.
Mas que vamos chegar lá!




)Cristiano Jerônimo(

sexta-feira, 17 de março de 2017

A testado

A cidadania, a astúcia e a arrogância.
A compaixão, o respeito e a nobreza.
A inveja, o egoísmo e a ganância.
Resignação, otimismo e esperança.

O medo, a fé, segredos, Santa Sé
Animais evolutivos, homem, mulher.
As chagas do orgulho então queimam;
As do amor como bálsamo aliviam.

A falta de lógica desta sociedade
A mentira, o disfarce e a verdade.
A luta pela tranquilidade da cidade
E por um grito abafado popular.

A mágoa, a indolência e a escravidão
Superam os muros e senzalas.
Estão aí pelas casas, hospitais em vão;
Alguma forma de tentar capturá-las.

O sonho, a utopia, e o propósito
Ferramentas para alta performance
E, com elas, um grande desempenho
Para se obter um atestado de óbito.



(Cristiano Jerônimo – 17.03.2017)

domingo, 12 de março de 2017

Pro que você quiser

Sente angústia
Mas passeia.
Tira a meia
E vai pro mar.

Tanta alegria,
Riso e tédio.
Não há como
Não escapar.

Estava triste
Com o pierrô.
Sorrindo
Nas ladeiras
Que são lindas
E tão íngremes.

Tanta felicidade
De tanta gente
Metida a feliz.
Ouve-se lamentar.

Eu não sou piano
De caldas ou oboé;
Só porque eu sirvo
Pro que você quiser...


(Cristiano Jerônimo)



quinta-feira, 9 de março de 2017

Cuidado!

Nos corredores da pinacoteca
Do seu pensamento e pós...
Nos novos circos dos cercados
Chorando com Deus ao seu lado.

Ninguém sabia se por fé
Ou mesmo por algum pecado;
Nos interiores do labirinto
Que habita a nossa mente,
O Minotauro era um ursinho
Pom Pom.
Com Duracell, mas se acabou.

Dentro das pistas curvas
Aceleramos pra chegar
Tão depressa e devagar;
O dinheiro é mais veloz.

Tem gente que traz
Lá do alto
Notícias
Que não aparecem na escola.
Sabedoria que não é
Qualquer um que ensina.

Tem gente que traz
Lá de baixo também.
Cuidado!

“Orai e vigiai”.


(Cristiano Jerônimo – 09.03.2017)

terça-feira, 7 de março de 2017

Parir e dançar

Nesta quarta – 8 de março de 2017

Pare e cria;
Cria não para.
Pensamentos
Reprimidos
E um pulo
No ar agora.

Mulher
foi feita
para voar.

Seu vestido
permitido
está grávido,
rodadinho,
Linda criança.

Mulher
foi feita
para brilhar
feito gente
grande,
por renda
per capita
e as lendas.




PARABÉNS!!!!!

segunda-feira, 6 de março de 2017

Como sinto (papel)

Eu estou enferrujado
igual a sapo sem lago
como cobra sem “gia”,
como torcer
sem ter lado ou dor.

Estou tão pensativo
como um pescador.
e ando atrevido;
tangendo essa dor.

Mas ando meio tão animado;
vi aqui sorrindo ao meu lado,
no meio do corrupio da besta
No lapidar de todas as arestas:

Elas dançarem nuas na festa
leveram todos a dançar
e colocar nos seus lugares
os infantes militares;
os escribas dos cabarés.
a noite tão lúdica
e eu tentando
descrever tudo
num papel.


(Cristiano jerônimo – 06.03.2017)




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Tão separados

Você se escondeu
Do outro lado, e,
Os nossos pecados
Partiram também.

Quando era hora
Do café quentinho,
Eu já sabia a história
E o melhor jeitinho...

Ficava só a imaginar
O fogão de lenha
estralando,
Nossos abraços
Avançando
Para outra
Dimensão.

Somos felizes
Porque gozamos
A vida adoidados
E não há nenhum pecado
Neste sonho único
De viver tão separados.

(Cristiano Jerônimo - 22.02.2017)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Em dois

‘Tava’ ali no prédio
Espiando na tela
Quem eu era
Ainda no colégio.

Apareceu em rede
E me tirou do sério
Matou a minha sede
Aplacando esse tédio.

Indubitável beleza
De mulher menina,
Que pula feito gato
E some na esquina.

Aparece para mim
Outra vez e assim
Divide a felicidade,
Repartida em dois.


(Cristiano Jerônimo – 17.02.2017)

Eles não existem

O sangue que sangra frio
Num corpo de calafrios
E os clarins dos meus sinais
São os jardins das capitais.

O sangue que é transparente
É de barata, não é de gente...
A crueldade dos mouros
E a brabeza dos touros.

São lembranças de sangue
Exemplos de perdão, paz
Sem resultados no Sertão
E em Gaza, na Palestina.

Tristes homens que duelam
Sob a arrogância que exibem
Não têm outra razão revelam
Que na verdade não existem.


(Cristiano Jerônimo – 17.02.2017)



terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Dentro de mim


Nada encontrei
E mais procurei
Estava e não sabia
Nada adianta o que seguia.

Não consegui achar
No que a vida é uma procura
Eu me sirvo da loucura
Para poder moderar.

Estava lá e eu não via
Pelos cantos perseguia
Mas nada conseguia
Nem mesmo um olhar.

Mas estava lá...
Tão simples assim
Porque na verdade
Estava dentro de mim.



(Cristiano Jerônimo – 31.01.2017)

sábado, 28 de janeiro de 2017

Cidade Cool

Mas que cidade cool
O que vale é o poder.
Tem cena de um blue;
Tem crepe pra comer.

Se nota é o dinheiro,
A galera fica cega
Com a riqueza do doleiro
Então a turma não ‘manera’.


Mas que cidade azul
Que acaba sem chover
O rio seboso é tão lindo
E horrível de se ver.

Se carro é caráter,
Beleza é patente
Corra lá dessa gente
Vá se proteger.

Mas que cidade cool
O que vale é o ter
Na cena de um blues
Eu não quero nem saber.


(Cristiano Jerônimo – 28.11.2017)

sábado, 21 de janeiro de 2017

Até os novelos

Ela me olha
com carinha
de Fanta.
Laranjada
em mim.

Eu digo
a ela:
Seu olhar
me encanta...!
Ela percorre
o Brasil.

Meus lábios
Sabem falar
Com a boca.
Sua língua solta
Para se beijar.

Que me toca
Pela flor
No cabelo;
Uma cócega
Pelos pelos,
me diz:
Até os novelos!
Diz-se adeus
e até nunca mais.

Pai!

Um cangaço de afeto

Sede na subida da serra, Água de cabaça pra beber. E a capemba do caldeirão Vem do pé de coco catolé. Esses brejos de altitud...