sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Tempo verbal (viver é mais feliz!)

Estas loiras
Loucas, cobras,
Fadas, rainhas
E desfilantes,
Ao lado das mulatas
E cabelos reluzentes
Fazem o requebrado
Das bainhas das saias
Que vestem o meu amor.

Lindas, finas,
Deslumbrantes,
As ilusões da vida
Seguem a cegueira
Dos iludidos...
O elementar
Blinda possibilidades
Protegidas pelo futuro
Do destino mais pretérito
Imperfeito e pessoal.


Viver é mais feliz!

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

recife de rua

vagueia um menino qualquer
qualquer rua...
matura qualquer menino
vidrado na lua...

sobre a cidade
de água indecisa,
sob a verdade
crua e concisa
repousam as asas
da contradição:
do que é da terra de Deus
e do que é de um mundo de cão.

Um rebanho de bichos do mato
            ...meninos...
...cidade...mata...

...MENINOS...

Mauricéia,Veneza, Ribeira e Cidade...

Mauricéia,
Ficarás sob o concreto
Dos lugares aterrados
Juntamente com a história
De uma batalha tão cruel
Entre lanças e armas de fogo.

Veneza,
Serás encoberta de águas
Nesse destino de lama
Na cama em que ti eu me deito
Teu leito perdeu a corrente
e tuas águas estão confusas no mar.

Ribeira,
Por debaixo de tudo
Há ti de verdade.
Nascestes tão simples
Virastes cidade
Para abrigar sua gente.

Cidade,
Quem são teus meninos?
Quem são teus amantes?
Quais são teus destinos?
Quem habitou você antes?
Respondes,
Estás contente, cidade???



Escrito em 1993 e publicado em 1999 no 2º Congresso Brasileiro de Escritores (UBE)

Os mouros do sertão

Eu sou do solo do pé rachado. Onde hidratante não dá jeito. Sou pé trincado do próprio solo; Do colo da flor que brota no leito. ...