segunda-feira, 29 de maio de 2017

Genuflexório


É no genuflexório
Da cadeira da analista
Que confesso o indizível
Como quem mente para o padre.

Uma mudança de abordagem
Uma outra reciclagem;
De Freud a Lacan,
Às dez horas da manhã.
(Toda terça no divã).

Esvaziar para depois encher
Colocar as toxinas para fora
Ver a soma das coisas do dia a dia
Para que não seja levada pela maresia.

É na mesa do jantar onde mais brilha
A intensidade da luz de cada um.
É no pisar de seguir adiante a trilha
Que possa levar a gente a algum lugar.

Volto ao genuflexório da sala da analista.
(Imploro ao padre que segure e resista).
E só confesso às paredes, com seus ouvidos
E A emparedada da Rua Nova, Boa Vista.

O tempo vai passar; há de muito melhorar;
Vamos seguir com fé nesse nosso caminhar.




(Cristiano Jerônimo)

CÉU DE ANIL

Bem que sou mesmo palhaço Mas não faço graça para qualquer um. Ao ponto de qualquer estilhaço, Corro com todos; corro só um... ...