quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Poeta e culpa


O poeta não escreve por mera distração
Nem tampouco para esconder a solidão.
Nos gestos serenos ou abruptos da vida,
O poeta escreve para cicatrizar feridas.

As chagas alheias, mazelas de si mesmo.
Cidade bonita, cidade sangrenta, suja...
Berço de uma maternidade para o caos,
Seja nas palafitas ou nos prédios altos.

Uma centelha de luz é mais suficiente
Para iluminar o sol da noite nossa gente
E as escadarias onde se sobe e onde cai,
Gradativo que você é quem diz onde vai.

O poeta, na verdade, para tudo que existe,
Até inventa, mas nunca consegue esconder
Que o Humanismo existe e persiste no belo
E no sarcófago do nosso vampiro existencialista                                                               
                                               Augusto dos Anjos

Por exemplo.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Ponta de faca

O sangue dos murros de faca que dei
E as cicatrizes que ficaram em mim
São coisas absolutamente diferentes.
Depois da cura, vem o grande desafio.

De cem por cento das ondas, algumas.
Muitas eu perdi por não conseguir remar,
Outras tantas desci como um tapete a flutuar.
E os caldos da vida existem para ensinar.

As pontas dos meus dedos, os peitos do meus pés
Também curaram; tanto balde que eu chutei.
Os paus da barraca, o olhar funesto e a fantasia
Me mostraram que são possíveis outros dias plenos
Com cheiro de jasmim, luzes de mercúrio e pudins.

No azul, pueril, eu disse aos do norte que ia pro sul.
Faca de ponta pra cortar de novo a mão, em murro
Olhar as cicatrizes e saber que algo de bom ganhou.
Nem de perto, olhar sereno que permeia a hipocrisia.





(Cristiano Jerônimo – 02.12.2016)

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Pronto final

Não nascemos pra chorar;
Vemos tantos a sofrer.
Quem vai nos libertar?
Não pergunte que não sei.

Ando em dúvida material
Quero saber do espiritual,
Só assim sossego o facho
E me conformo no sinal.

Não se conforme no final...
Há perigo onde você anda...
Não se deite nesta cama...
Não alimente este teu mal...

Por fim, vá para o seu banho.
Para se juntar ao seu rebanho
E voltar a ser bem inusitado;
É impossível a gente involuir!
Se só ficarmos estacionados.


(Cristiano Jerônimo)

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Canceriano

O dinheiro acalma os corações mais vazios que conheci neste mundo, até agora
Pela paz

Quando sua vida estiver
Toda definida e arrumada
Lembra-se da tua estrada
E de quantos se Deus quiser.

Falastes uma vez só e não
Não fostes feliz na reação.
Quisestes ser cruel no amor
Ante o que restou preocupação.

Eu que não falei, não desdenhei.
Levei porrada, quis ser uma mulher
Ou que fostes uma vez homem;
Minha mão fechada desencanta.

No pé do ouvido: - Serena tua ira,
Tua materialidade, a paciência,
Porque não podes ter um câncer
Porque sou, inclusive, canceriano.

Lê de novo o livro código principal;
Eu já li mais de 40 vezes...
E ainda tenho que ler
Outras 40 x 4,
Como perdoar
70 x 7 sempre.

(É possível).

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Mas,
"Vendo barato 
a minha nova
água benta:
três prestações 
qualquer um
pode comprar.
Se  pecado
anda sempre 
ao seu lado
e o demônio
vive a lhe tentar.
Chegou a luz
no fim do seu túnel,
minha filha,
O meu cajado
vai lhe purificar...
Pois eu transformo
água em vinho,
chão em céu,
pau em pedra,
e cuspe em mel.
Pra mim não existe
Impossível
... Pastor João...
e a igreja invisível.
O sucesso da minha existência
está ligado ao exercício da fé.
Pois se ela remove montanhas
também traz grana e um monte de mulher".




(Cristiano Jerônimo)

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Promete?


A lista
Alista
Alisa
E vamos
Todos
Se amar.

Na cama
Na lama
No Alabama
E vamos
Todos
Conversar.

Na língua
Na míngua
Sem íngua
Sem feridas
Pra curar.

Me envolve
Comove
Quando chove
Tem alguém
Para te enxugar.

Me enxuga
Me suga
De sunga
Sol da praia
Para a gente
Se queimar.

Tua bunda
Me afunda
Inunda
Faz meu corpo
Sorrir e delirar.




(Cristiano Jerônimo – 16.11.2016)

domingo, 13 de novembro de 2016

Dar sem ter


Que a taxa é alta pra se viver,
Você tem visto...
Dinheiro que é bom, passaporte,
Não tenho visto...

E viver, mesmo que renuncies
A tudo... Tem que pagar para ver...
Tem que ter alquimia, sobreviver,
Para ver, na vida, o outro lado da agonia.

O cartão de crédito da emoção
Só aceita cash e débito.
Eu, talvez, não possa comprar
O que chamam de salvação...

Mas posso dar do pouco que tenho,
Ajudar aos amigos e desconhecidos
Para poder ficar mais convencido
De que ninguém pode dar sem ter.

Assim como ninguém pode ter sem dar.



(Cristiano Jerônimo)

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Quanto dura e quanto vale

Senti que o frio foi embora
E não há mais o que aquecer.
Outros lençóis me descortinam
Outro amor me desatina a ver.

Descobrir o quanto dura
E o quanto vale um amor.
Descobrir o quanto dura
E o quanto vale o amor...

Incomensurável régua
De desatinos e imbróglios;
Eu sei que nasci para isso,
Construir o meu paraíso.

Não sou de contramão.
Um casal socorreu
Um motoqueiro
Caído.
Levou ao hospital
E tudo fez.
Será que a gente
Faz isso toda vez?
Não. Claro que não,
Eu respondo
E pronto.

Descobrir o quanto dura
E o quanto vale um amor...
É descobrir quanto dura
E quanto vale o amor.



(Cristiano Jerônimo)