sábado, 20 de janeiro de 2018

Fé no criador


O momento
Está de dor.
Fé no Criador
que sustenta
tudo o que flutua.
Perfeito no espaço
Tem a alma nua
E a energia
De todos os sóis
De onde a matéria
Se expande ainda
E donde não chegou.
Fé no criador
Que sustenta
Toda a nossa dor.



(Cristiano Jerônimo – 20.01.2018)

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

XERÉM NA MESA DE QUEM NÃO TEM


Num dia vazio...
O homem de barba
Com o amigo sem barba
Sorriram pra mim.

Eu disse
- Porque,
Meu amigo?
Não venho
Te oferecer
Perigo.

Pensa
Em mim
Assim também.
“Eu tenho,
Você não tem”
És cruel e alheio,
Mas és de bem?

Vou cuidar dessa roça
Combater essa boça
Andar nos trilhos do trem
Para, um dia,
Ir comer xerém
Na mesa de quem
Não tem.



(Cristiano Jerônimo – 18.01.2018)

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

VIDA DE FAZENDA 1

Aos oito anos, acordava às cinco da manhã. O nome das horas era furacão. Eu ia para o curral tirar leite. 

Ordenhava depois as cabras leiteiras que estavam com bondinho novo, um cabritinho. Naquele frio que fugia mais tarde em brancas serrações nas montanhas do céu. 

A neblina da madrugada ensinava a convivermos com o frio. Depois do gado, ia tomar o banho e fazer o desjejum. Bolo de caco, de milho, queijo, ovos, tapioca, beiju, macaxeira do baixio, batata doce, café, leite e chá. “Coisinhas de matuto”. 






E eu sou matuto, de uma fazenda distante muita poeira da enorme maioria dos homens civilizados desta civilizada civilização.


Após o café da manhã, pulava da mesa e ia planejar o que vinha por se fazer. No meio da caatinga do sertão pernambucano, a 25 quilômetros da pista principal (asfaltada), eu era um passarinho que ia pegar voo por volta das 8h. Eu conto.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

CUMBUCA – Aprendendo com os primatas


Abra a mão
Se quiseres
Experimentar
Outro pão...

Diz que macaco
Velho
Não bota na cumbuca
A sua mão.

Até o tempo
Ensinar os seus sinais,
Erramos e acertamos
Mas não somos más...

Este globo...
As matilhas
E os lobos.
Um carretel
De charretes
E preconceitos
Ilógicos, cruéis.

Mas cada qual
Tem a opção
De ser melhor.
E também
A responsabilidade
Do que vem pior.
Então é melhor...
Também corrigir.


(Cristiano Jerônimo – 01.01.2018)


terça-feira, 26 de dezembro de 2017

JOGA FORA


Ela não ria; chorava.
Sempre se deprecia
Com fragilidade
E medo...
Contou pra todo mundo
Seu segredo;
Viu a falsa vida
Lhe pulsar na veia
Como o próprio canto
Que mais lembra uma sereia
Que se afoga num mar
De loucuras, devaneios,
Com a vida sem freios.
A doença peristáltica do ser.
A vontade de não querer
E loucamente desejar...
E de tanto querer,
E querer tanto ter,
Sem ao menos dialogar.

Este não é um poema de amor.




(Cristiano Jerônimo)

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Vídeo game sete flechas pra rodar pião e empinar as pipas no ar...

Por aqui, na minha casa, atrás das próprias grades, cadeados e correntes... Sem sequer poder pular o muro por causa de uma cerca elétrica imponente e intimidadora. Duas câmeras trazem de fora, para a telona, tudo o que se passa na rua, para dentro do celular. E gravo coisas muitas vezes importantes, como ocorrências policiais, nas quais as imagens são fundamentais na investigação judiciária na elucidação de crimes. De qualquer forma, nada evita o medo e a sensação de insegurança, que além de preocupante, tem-se que a violência já bateu na porta de pelo menos uma pessoa que cada um de nós conhece. Para mim, de acordo com uma observação dos fenômenos sociais, o aumento anual, década a década, só fez subir. A população também cresceu e a desigualdade social permaneceu com a falta de uma política econômica de transferência de renda e geração de oportunidades. Sugiro que entre no google e pesquise as estatísticas na área de ocorrências. Essa “bela” fissura social começou a se aprofundar na segunda metade da década de 1980. 


Eu me lembro muito bem quando eu e meus amigos andávamos de bicicleta pelo bairro da Cidade Universitária. Entrávamos e saíamos dos estacionamentos dos prédios, raro era ver uma guarita, uma sombrinha, apenas. E lembro mais, porque fui um dos atingidos, quando em 1986 houve um boom de colocação de grades nos conjuntos, edifícios, prédios. E era, e é, o mesmo tipo de grade. Agora não podíamos mais entrar nos prédios, usar suas rampas. E neste mesmo ano bombaram os primeiros vídeo games. Confesso que olhei com desdém para o Atari, o MSX, e disse: - “Meu lugar é na na rua brincando”. Na rua e na escola. Mesmo exposto aos muitos riscos que se apresentam numa idade ainda pueril, do alto do falso poder dos nossos 15 anos, quando adolescente pode tudo e quero ser adulto. E não foi lá nem cá que o aperto espremeu. Foi aqui, dentro de mim. Persistindo por uma eternidade, a oportunidade de tentar ser sempre uma pessoa melhor. Muitos anos depois.


Cristiano Jerônimo, 19.12.2017.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Quando o mundo se acaba


Minha cara de hierofante
Escreve em meu alto falante;
Vivam também a indisciplina;
Salve meninos que são meninas.

É pela margem que se anda
No barraco é que se canta
Samba, samba, bamba...
No batuque da umbanda.

Salve o Mariri e a Chacrona,
Salve o rito mito Rastafari,
A infinitude da maconha
Tal dois cálices de vinho
Que eu não tomei.

Tu me dás todo teu carinho
E nós trabalhamos chacras,
Deciframos os pergaminhos
Até onde o mundo se acaba.




(Cristiano Jerônimo – 16.12.2017)

Fé no criador

O momento Está de dor. Fé no Criador que sustenta tudo o que flutua. Perfeito no espaço Tem a alma nua E a energia De to...