quinta-feira, 17 de maio de 2018

A tal lótus ideal



ela nem imagina o que se deu
o seu cara novamente morreu
e eles nem imaginaram bem
como é triste ver sofrer
                  um outro alguém...

também...

como é triste sofrer no espelho
morrer no banheiro ou no sofá
avançar sempre o sinal vermelho
nunca ser triste nem pensar em chorar.

a escola de samba ou a nação
o alvirrubro ou o leão
as turbinas e as bicicletas vão
cada uma ao lado dos seus ideais.

ela sabe tudo o que aconteceu
e traz à luz uma criança linda,
novos focos mudam que brilham
e permite-nos nos reconstruirmos.

e deixa ser visível do que somos capazes
de fazer quando esquecemos que algo
está nos registrando e em todo o tempo.
quando esquecemos que não estamos sós.



(Cristiano Jerônimo – 17.05.2018)



segunda-feira, 14 de maio de 2018

Você consegue se amar


Parece amor, mas dói
Como o cupim que rói
Tudo o que é madeira,
Sem resistência nem lei -
Pensando que é besteira.

Propõe a loucura
Cobra a razão
Acha tudo bonito
Não assiste televisão.
De vento, de nada,
De vida atrapalhada.

Cobra sobriedade
Logo aqui nesta cidade
Eu não consigo por inteiro
Sempre vou ao banheiro
Suco quente da cerveja gelada
De vez em quando voo na calada.

Sem a mente turbulenta.
Pra saber o que é gostar,
Senta, tenta e aguenta!
Você consegue se amar...


(Cristiano Jerônimo – 14.05.2018)

terça-feira, 8 de maio de 2018

O mato ensina



Já peguei tromba d’água
Fui para trás das anáguas
Debaixo da saia da minha avó.

Também vi tudo seco e perdido,
Com cinco anos, no inverno,
Estava tudo renascido e por si só.

Vi feijão se perder pelo sol e pela chuva
Vá entender...
Água demais e seca demais matam.

Já carreei com as meninas
Numa junta de bois mansos
Nas ladeiras e remansos
Até o Riacho de Cima.

O orgulho do carreiro
É ter seus bois felizes
Já a alma do vaqueiro
Bota as moças pra dançar.



(Cristiano Jerônimo – 08052018)



sexta-feira, 27 de abril de 2018

Mas eu te amei



Seu vestido voou
Na ladeira do MAC
Você nem notou...
Eis em mim um baque
Um suspiro de um ataque
Mas você nem me olhou.

Olhando nos olhos vejo
Cego quando é audição
Colando nos lábios beijo
Seu vestido de algodão.
Na Ribeira, ela sumiu...
Foi à Rua de São Bento
Em outros braços, afinal,
Estamos em pleno o Carnaval.

Mas seu vestido voou
Na ladeira do MAC
E você nem notou...
Eis em mim um baque,
Um suspiro de um ataque
Mas você nem me olhou.
Virado, solto e rural.
Caboclinhos estrelares
O universo pelos ares
Afinal, é Carnaval.

De máscaras eu vejo
Tudo que eu não desejo
Mas ninguém pode me ver.
Você pisou no vestido
E eu segurei você
Eu estava sempre atento
Esperando te ter
Demorou, mas eu te amei
Demorou...
Mas eu te amei.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

A fossa e a cacimba



quanto mais ela cavava em direção à fossa,
mais se aproximava da merda social.
e a negação desta premissa
é uma proposição lógica, válida.
aquela cara pálida era o medo
e caída, já enferma,
não viu ninguém para olhar
e ninguém havia por ela.
na ala dos indigentes
não somos gente...
e ela sorriu e se foi
cavou mais
e achou uma cacimba
que jorrava jatos d´água
e a tudo em volta limpava.
ela aprendeu a escolher,
cavar fossas ou cacimbas de beber.
matar uma galinha pra comer.



Cristiano J.Valeriano

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Vergonha e orgulho (fases da lua)



A vergonha é muito orgulho
O orgulho criou a vergonha
Por isso bebê é de cegonha
E ouço absurdo no barulho.

Limpo, sujo, não fico mudo
E, sobretudo, falo bem alto
Sem querer e querendo
Ganhando e perdendo
Altivo e altaneiro
Como um bom brasileiro
E velho sertanejo.

O orgulho perdeu a vergonha
Vergonha perdeu seu orgulho
Índios não sentiam vergonha,
Nunca souberam de barulhos.

E eu fiquei pensando na honestidade;
Nos que se diziam sem austeridade...
Como os mais bem intencionados
São os mais criticados, porque ninguém
Resolve de graça o problema de ninguém.
Aquele filete de lua carrega meu pedido
E muita fé no que minha avó me ensinou.
As pequenas coisas que já foram grandes
E as grandes coisas que hoje estão pequenas
São apenas como fases da lua.


(Cristiano Jerônimo – 19.04.2018 – 15h)

segunda-feira, 16 de abril de 2018

LADO DEMONÍACO


Nunca bata na mesa
Sem apertar minha mão.
Nem force o seu sorriso,
Mesmo que seja preciso.
Fale com o seu coração.

Bata, bata nesta porta
Abra e feche sem ver.
Não venha, então, querer
pegar na minha mão.

Nem ainda me curei
E não sei, com certeza,
Se vou pular outra fogueira
Espantar de vez essa ressaca
Do mar, corridas e trânsitos.
Ressacas do estresse inoportuno
Das aventuras de boêmio noturno
E as lenhas que foram carbonizadas.
Na estratosfera, a camada de ozônio
Sofre com o nosso lado de demônio.

Bata, bata nesta porta
Abra e feche sem ver
Não venha, então, querer
pegar na minha mão.


(Cristiano Jerônimo – 16.04.2018)

A tal lótus ideal

ela nem imagina o que se deu o seu cara novamente morreu e eles nem imaginaram bem como é triste ver sofrer                   ...