sexta-feira, 3 de abril de 2020

Timor






Como é fácil o timor da sobrevivência.

Um fantasma microscópico
Desafia o mundo e sua ciência
Paciência, nem tudo vai acabar.

O planeta se cansou da gente
Está só trocando suas sementes.
Para alguns será muito fácil plantar
Outros muitos não irão nem colher.

Ah! Como é fácil se enganar...
Ah! Como é fácil se enganar...
Se as escolas não ensinam as crianças
Se o mercado de consumo de esperanças
Faz a gente hesitar...

A pleura, boca, fossas nasais, faringe
Afastem esse mal da nossa laringe,
Das nossas traqueias e brônquios carbonizados,
Bronquíolos e alvéolos,
Não nos deixem sufocados...

Ah! Como é fácil se enganar...
Ah! Como é fácil se enganar...
Se as escolas não ensinam as crianças
Se o mercado de consumo de esperanças
Faz a gente hesitar...



(Cristiano Jerônimo – 03042020)

domingo, 29 de março de 2020

Poema Free 2



o mito das cavernas
mais profundas;
nossas almas de mangue
os asfaltos de sangue
e um mergulho no além.

e eu ainda tenho que cortar
cebola, lágrimas e ardência
para ver a luz das ideias
despertar da consciência.

no fundo das suas
asas de mel e aveia
ala toda a inteligência
clareia bem o juízo de valor
a infalível escuridão do dia
e a nossa eterna indulgência.



(cristiano jerônimo – 29032020)

sábado, 21 de março de 2020

quarentena


controle social
guerra comercial
conflito “espiritual”.

quem ganha e quem perde,
na explicação do que existe no cerne,
a nossa própria consciência é que vai julgar.

a gente vai se sentir mal e depois voltar bem mais fortes
mais solidários e respeitosos, complacentes com o próximo
não deixaremos que forças escusas roubem nossas pequenas alegrias.

não iremos admitir que o turvo negro se aposse dos nossos pequenos soldados
será uma verdadeira guerra santa na qual todos estaremos leves, livres e desarmados
sorrir é o que nos resta nesta festa ilusória das garras da terra onde estamos aprisionados.




(cristiano jerônimo – 21032020 – 15h36)

quinta-feira, 19 de março de 2020

Semelhanças de guerrilha



Amava igual a mim
Tal como nós, julgava
Caminhava para o fim
De manhã recomeçava.

Também tinha impaciência
E, em sonhos, apaziguava
Muito parecido com você
Ora doía ora melhorava.

Era libertária também
Como eu, pouco rancor
Muita crença no além
Protegidos contra a dor.

Era medo pueril que a gente sentia
O que estimulava a nossa coragem
Pacifista igual aos passarinhos.

Diferentes em grupos tão iguais
Iguais em glebas muito diferentes
Sentíamos tanto que a nossa gente
Perdesse, por ignorância, a sua paz.

Os organismos humanos são iguais
E as políticas deveras desleais.
Era tão soldado como eu...
... desses que dão a vida por amor.


(Cristiano Jerônimo – 19.03.2020)

sexta-feira, 13 de março de 2020

Zé (01)


Eu vi no ultrassom
Ninguém acreditava
Que eu vi teu rosto
Um bebê hoje rapaz.
Tão redondinho
Como na barriga
Da sua mãe e mais.

Com o
Som do coração
O som do coração
O meu e o teu
Coração
Palpitando...

Menino que vai homem
Tá fazendo a sua hora
Ele lembra sempre
Recorda dos tempos
De criança linda na vida
E naqueles pores do sol
   Ao vento
Encara a vida de frente.

Um adolescente
Rumo ao mundo adulto
Um pensador contínuo
Tentando entender
Precisando (se) explicar
Entender por que mostra o brilhar.

Som de coração
De pré-natal
Bate, bate, bate
Som e coração
Numa onda vital
O som do coração
Meu como o teu som
primordial.           

(Cristiano Jerônimo – 2425022020)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

O binóculo da inveja



Você
Que sempre dá um jeito
De se ver por cima
Para que eu não veja
O binóculo da inveja.

Da tecnologia
Da informação
A te enxergar
De longe
E nada
Te dar.

Você
Que acredita
Em vitrines
Sociais
E bugigangas
Faz alpinismo
E fala demais,
Não sabe
Ter a própria paz.


A minoria é bem maior
Que a maioria
E muito mais.
Tanto mais.

A maioria é bem menor
Que a minoria.
Têm a menos
Temos a mais
Gente.


(Cristiano Jerônimo – 14.02.2020 – 7h34)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Porque sou camponês



As pisadas firmes
das alpercatas do meu pai,
nas terras herdadas dos seus ancestrais
no seu sertão que sofre muito e vive em paz.

Nas estradas infinitas eternizadas pelas memórias.
Pelas histórias de cada olhar pitoresco e a menina bonita
Que beijava a minha boca com seu suave gosto de favo de mel.

Nas veredas pisadas de cavalos, de carros-de-boi que socaram a terra
Nas estradas onde a mata se recompôs, ele não viu o tempo passar
Também não contemplou a geografia infinita do universo quântico
Viciado em dinheiro que até dá pânico, está sem os olhos abertos
Não sabe mais ao certo o que é errado ou o que mesmo é certo.
Só amplidões com o medo absurdo do que vem amanhã...

Eu colhi algodão, o besouro do barbeiro acabou.
Eu fiz plantio de cana e a seca secou
Eu quis entrar num grande pranto
Mas meu olho não entrou.
Fizeram um poço de lágrimas
Como as águas salobras
Que aos meus olhos
Reservaram-se.

Combato aqui com trovão
Foice e martelo na mão!
Porque sou camponês
Guerreiro de coração.


(Cristiano Jerônimo – 22012020)

Timor

Como é fácil o timor da sobrevivência. Um fantasma microscópico Desafia o mundo e sua ciência Paciência, nem tudo v...