quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Poeta e culpa


O poeta não escreve por mera distração
Nem tampouco para esconder a solidão.
Nos gestos serenos ou abruptos da vida,
O poeta escreve para cicatrizar feridas.

As chagas alheias, mazelas de si mesmo.
Cidade bonita, cidade sangrenta, suja...
Berço de uma maternidade para o caos,
Seja nas palafitas ou nos prédios altos.

Uma centelha de luz é mais suficiente
Para iluminar o sol da noite nossa gente
E as escadarias onde se sobe e onde cai,
Gradativo que você é quem diz onde vai.

O poeta, na verdade, para tudo que existe,
Até inventa, mas nunca consegue esconder
Que o Humanismo existe e persiste no belo
E no sarcófago do nosso vampiro existencialista                                                               
                                               Augusto dos Anjos

Por exemplo.

Quevedo (A hora...)

Eu não posso dar conta da realidade, Se toda vez que percorro essa cidade, Desponta luz toda sorte de iniquidades; Porque se diz ...