(SÉRIE “AUGUSTIANA DE
GREGÓRIO”)
Dinheiro
não tem duas fábricas
O que é
igual ao seu é o que é meu
O bem acumulado,
a labuta suada
Escravizado
chamado emergente
Um grande
cara e tal, inteligente.
Antes
fosse um cometa
que
encantasse
E fosse
embora...
Antes
fosse apenas
Os
mistérios da caipora
Mãe-da-lua
e o firmamento
Urutau no
pensamento
Inigualável
ao fundamento
E instável
como o luar...
Para dar
um sentido
A uma vida
perdida
Aos amores
doentes
Remédios e
curas
Sinceridade
máxima
Dê no que
der as juras,
Vão querer
sempre
O sucesso
contínuo de vocês
Seja até mesmo dois ou três.

Os abutres
são do bem
Limpam ossos na rapina
Comem o gado já morto
Todo dia essa
é sua sina
Como se
fosse sua horta
Como ninguém imagina.
Carcará,
atenção na estrada
Ataca o
vazio com sua espada
Chega na
frente do alimento
Toma a sua
presa em seu alento
Entre os
varões, um sangão frágil
Foi-se na
cópula da Abelha Rainha.
Uma
espécie que evolui e involui...
Que guarda
tantos traumas de vidas
Das
famílias comendo lagartixas
Os répteis
se alimentado de formigas
E na terra
as suas transformações
A partir das
espécies mais antigas.
Deram para
o vapor criar a indústria
A
combustão da imprensa e o capital
A desigualdade
que permeia o planeta
Com fome,
todos os cabritos berram
Poucos têm
muito e muitos muito mal
O sujeito que por si só não prospera.
Não é
reclamação de adolescente
Nem poesia
de ideia de protesto
Fosse
assim eu mesmo me revoltava
Jogava os
ideais e os sonhos com dor
Descobrindo as profundas diferenças
Do presente,
da vida casual e crenças.
O que
fizeram dos sonhos e esperanças?
São
perguntas proferidas por crianças
São jovens
que escolhem ser marginais
Porque, às
vezes, não possuem mais
Uma opção
sequer para seguir em paz.
No chão da
fábrica quer ser encarregado
A
competitividade em condições desiguais
Vejo uma
fraca resistência e uma sensação
De que nosso
país sempre anda para trás.
Poderia
ser teu filho ou até mesmo você
Estendendo
a mão ou ignorando o fato
Sendo
agradecido ou sendo ingrato
O
trabalhador vê a escravidão escurecer
Um patrão
que não acredita em abstrato
Nos anos
2020 não deixa você você ser
Ter que
apanhar para ter que esclarecer
O ocorrido
e toda a natureza dos fatos
De que
queres, mas não tens condições
Pois não
honram nem o próprio prato.
O ser humano
não suporta nem a si mesmo
Jamais dará lugar para alguém adentrar
Sentimos
nojo de nós mesmos e perfumes
Baratos escondem
a nossa vil arrogância
Sob o
pretexto de que foi deus quem criou
O limite
entre a decisão e as consequências
Entre o
incrível e a colheita tão esperada
O avião com
a cabeceira da pista preparada.
(Cristiano Jerônimo
Valeriano – 24032023)