quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Todo mundo vinha



Quando sugam
São pessoas
Perdidas.

Nos bordéis
Modernos da vida
Brilham os ternos.

O homem lá da rua
Imagina ela toda nua
Porque já comeu.

O homem é um mendigo
Na calçada esmolando
Uma porta saída.

Tem gente
Que não cheira
O vento do mar
Não sabe ver a vida

Tem gente
Que não cheira
O vento do mar
Não sabe ver a vida

Mas há que se consiga
Lhe agradar o dinheiro
Quando o ralo
Se olha no espelho.

Ninguém olha
Em volta de você,
Que vê com olhos
de peixe.

Mas que se tirasse
na loteria,
Todo mundo vinha.

Todo mundo vinha.                Refrão



Cristiano Jerônimo

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Renascimento em marcas

Ser, de verdade, num é bom;
Todo mundo afirma que sim.
Mas quando desabafa o medo,
Alguém vem e conta seu segredo.

Ser humano, de verdade, vale.
Muito mais que hipocrisia,
Eu falei em outro dia
Quando a semente se fez caule.

Nunca deixe permissível o cale-se,
Nem a afronta de colocar para gelar.
Eu não sou cerveja. Não sou matinê!
Me libertem que o que eu quero é viver.

Escolhe, opta por quem tu queres viva;
Mas não escolhes quem vem lavar tuas feridas.
Há nas cicatrizes o renascimento em marcas
Novos grandes passeios no mar que se embarca.

E o mar só vai para onde ele e a lua querem...



(Cristiano Jerônimo)


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Poeta e culpa


O poeta não escreve por mera distração
Nem tampouco para esconder a solidão.
Nos gestos serenos ou abruptos da vida,
O poeta escreve para cicatrizar feridas.

As chagas alheias, mazelas de si mesmo.
Cidade bonita, cidade sangrenta, suja...
Berço de uma maternidade para o caos,
Seja nas palafitas ou nos prédios altos.

Uma centelha de luz é mais suficiente
Para iluminar o sol da noite nossa gente
E as escadarias onde se sobe e onde cai,
Gradativo que você é quem diz onde vai.

O poeta, na verdade, para tudo que existe,
Até inventa, mas nunca consegue esconder
Que o Humanismo existe e persiste no belo
E no sarcófago do nosso vampiro existencialista                                                               
                                               Augusto dos Anjos

Por exemplo.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Ponta de faca

O sangue dos murros de faca que dei
E as cicatrizes que ficaram em mim
São coisas absolutamente diferentes.
Depois da cura, vem o grande desafio.

De cem por cento das ondas, algumas.
Muitas eu perdi por não conseguir remar,
Outras tantas desci como um tapete a flutuar.
E os caldos da vida existem para ensinar.

As pontas dos meus dedos, os peitos do meus pés
Também curaram; tanto balde que eu chutei.
Os paus da barraca, o olhar funesto e a fantasia
Me mostraram que são possíveis outros dias plenos
Com cheiro de jasmim, luzes de mercúrio e pudins.

No azul, pueril, eu disse aos do norte que ia pro sul.
Faca de ponta pra cortar de novo a mão, em murro
Olhar as cicatrizes e saber que algo de bom ganhou.
Nem de perto, olhar sereno que permeia a hipocrisia.





(Cristiano Jerônimo – 02.12.2016)

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Pronto final

Não nascemos pra chorar;
Vemos tantos a sofrer.
Quem vai nos libertar?
Não pergunte que não sei.

Ando em dúvida material
Quero saber do espiritual,
Só assim sossego o facho
E me conformo no sinal.

Não se conforme no final...
Há perigo onde você anda...
Não se deite nesta cama...
Não alimente este teu mal...

Por fim, vá para o seu banho.
Para se juntar ao seu rebanho
E voltar a ser bem inusitado;
É impossível a gente involuir!
Se só ficarmos estacionados.


(Cristiano Jerônimo)

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Canceriano

O dinheiro acalma os corações mais vazios que conheci neste mundo, até agora
Pela paz

Quando sua vida estiver
Toda definida e arrumada
Lembra-se da tua estrada
E de quantos se Deus quiser.

Falastes uma vez só e não
Não fostes feliz na reação.
Quisestes ser cruel no amor
Ante o que restou preocupação.

Eu que não falei, não desdenhei.
Levei porrada, quis ser uma mulher
Ou que fostes uma vez homem;
Minha mão fechada desencanta.

No pé do ouvido: - Serena tua ira,
Tua materialidade, a paciência,
Porque não podes ter um câncer
Porque sou, inclusive, canceriano.

Lê de novo o livro código principal;
Eu já li mais de 40 vezes...
E ainda tenho que ler
Outras 40 x 4,
Como perdoar
70 x 7 sempre.

(É possível).

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Mas,
"Vendo barato 
a minha nova
água benta:
três prestações 
qualquer um
pode comprar.
Se  pecado
anda sempre 
ao seu lado
e o demônio
vive a lhe tentar.
Chegou a luz
no fim do seu túnel,
minha filha,
O meu cajado
vai lhe purificar...
Pois eu transformo
água em vinho,
chão em céu,
pau em pedra,
e cuspe em mel.
Pra mim não existe
Impossível
... Pastor João...
e a igreja invisível.
O sucesso da minha existência
está ligado ao exercício da fé.
Pois se ela remove montanhas
também traz grana e um monte de mulher".




(Cristiano Jerônimo)

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Promete?


A lista
Alista
Alisa
E vamos
Todos
Se amar.

Na cama
Na lama
No Alabama
E vamos
Todos
Conversar.

Na língua
Na míngua
Sem íngua
Sem feridas
Pra curar.

Me envolve
Comove
Quando chove
Tem alguém
Para te enxugar.

Me enxuga
Me suga
De sunga
Sol da praia
Para a gente
Se queimar.

Tua bunda
Me afunda
Inunda
Faz meu corpo
Sorrir e delirar.




(Cristiano Jerônimo – 16.11.2016)

domingo, 13 de novembro de 2016

Dar sem ter


Que a taxa é alta pra se viver,
Você tem visto...
Dinheiro que é bom, passaporte,
Não tenho visto...

E viver, mesmo que renuncies
A tudo... Tem que pagar para ver...
Tem que ter alquimia, sobreviver,
Para ver, na vida, o outro lado da agonia.

O cartão de crédito da emoção
Só aceita cash e débito.
Eu, talvez, não possa comprar
O que chamam de salvação...

Mas posso dar do pouco que tenho,
Ajudar aos amigos e desconhecidos
Para poder ficar mais convencido
De que ninguém pode dar sem ter.

Assim como ninguém pode ter sem dar.



(Cristiano Jerônimo)

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Quanto dura e quanto vale

Senti que o frio foi embora
E não há mais o que aquecer.
Outros lençóis me descortinam
Outro amor me desatina a ver.

Descobrir o quanto dura
E o quanto vale um amor.
Descobrir o quanto dura
E o quanto vale o amor...

Incomensurável régua
De desatinos e imbróglios;
Eu sei que nasci para isso,
Construir o meu paraíso.

Não sou de contramão.
Um casal socorreu
Um motoqueiro
Caído.
Levou ao hospital
E tudo fez.
Será que a gente
Faz isso toda vez?
Não. Claro que não,
Eu respondo
E pronto.

Descobrir o quanto dura
E o quanto vale um amor...
É descobrir quanto dura
E quanto vale o amor.



(Cristiano Jerônimo)

Oportuna

Enquanto em nada se acredita,
O homem salta as maravilhas;
Se enreda em toscas armadilhas
E quando não vence, então grita...

Insensata direção, novo rumo...
Uma nova partida para atacar.
Um decolar da cor do céu dourado;
Um degustar do mais puro sumo...

Lealdade purificando o coração.
Em igreja, lindo altar dourado...
Mostra as faces da contradição.

Dar-se não custa quando se investe
Todas as fichas no que é apaziguado
Em algum lugar que reside no passado.



Cristiano Jerônimo

Rir no Crítico

Ao Mestre Ariano Suaçuna (era com “Ç” o nome do seu pai)



Um homem
que brincava
com as palavras,
de forma mágica
e de um tutano
de fazer inveja
a Beltrano e
a Fulano.
E de fazer
Todo um povo
Rir no crítico.







(Cristiano Jerônimo – 24.07.2014)

terça-feira, 1 de novembro de 2016

O galope faz com que a dor suma em adrenalina

Pessoas que carregam rasga-mortalhas,
Que juntam suas tralhas e mudam-se
Para outro lugar...
Em novos ninhos de pássaros noturnos
Por dentro dos túmulos dos ancestrais
A multiplicar...

Não quero mais aquela chama de medo,
Nem guardar segredos que devo contar.
As estrelas são as mesmas,
Mas sempre mudam de lugar.

E eu segui... Procurando te encontrar.
Até te achar tão bonita de admirar;
Tua sinceridade e a tua dedicação.
Simplesmente por amor
Que cativa e cultiva o meu também.

Que se ama sem dar bola pra ninguém;
Fugindo e correndo para subir no trem
E viajar com seu grande amor bandido
E sincero, ao ponto de sacrificar seu sacrifício.

Vê-se tudo em convenções e estigmas
Que somem e superam o que é o amor.
A beleza é mais sublime do que a carne
E a tua me alimenta e alivia a minha dor.




(Cristiano Jerônimo)

domingo, 30 de outubro de 2016

Em vão


Um farfalhar de espumas,
Como a onda que quebra,
Arrasta os castelos
De areia e de nuvens...
Um domingo de sol
Ou nublado
De cinzas
Do que fora
Cremado.
Por nada,
Por tudo.
Por pouco,
Por muito.

Por muito
Pouco
Não foi

Em vão.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Timão e Pumba

Hakuna Matata
entrou na Caverna
do Dragão.
Encontou
com Mickey Mouse
Pagando de gatão...
E viu Hebert
Richards;
Pediu
Uma tradução.

Felícia
Ama os bichos.
Só não sabe demonstrar
Como o amigo Lipe
Faz de tudo
Para Hardy se alegrar.
Uma hiena ao contrário.

Tom com a cara de otário.
E Zé Buscapé levando grito,
O Xodó da Vovó tão esquisito...
E Penélope Charmosa.

Chega! Chega!
Chega de ser bonzinho.
E lá foi o Dick Vigarista
Com seu cachorro rabugento:
Capitão Guapo e Branquinho
Com duas personalidades.
É como a vida,
A corrida é maluca.

Muitos seres
Não desistem
De capturar,
Sem motivos,
O safo e veloz
Pombo Gugol.
Enquanto Mutley
Voa e quer
Mais medalhas.




(Cristiano Jerônimo - 28.10.2016)

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Que miséria...

O ácido invisível dos dias,
A magnésia dos tempos;
A busca pelo tempo perdido
É inútil e também inócua.

Os galopes percorridos
E as ferraduras apagadas
Não nos levam a nada.
Diferente do caminho.
                               Da estrada.

A desidratação da vida.
Essa estranha paciência;
Um modular entre o ser feliz
E a verdade de que não está bom.

Os colapsos são nervosos
E de paralisação de obras.
São sempre para cumprir a Lei.
A Lei de Murphy.

Podre sertanejo. Pobre citadino.
Ser humano atordoado em desatino.
Os meninos correndo secos pelas ruas.
Do outro lado, duas “noiadas” tão nuas.

Que miséria!





(Cristiano Jerônimo)

sábado, 22 de outubro de 2016

Julgar ficou para Deus


Detalha este enredo
Em ilusórias emoções
Fruto de puras ilusões;
Donde nasce a covardia.

Do egoísmo,
Não reclame
A solidão.
Aquele chiclete
Acabou seu doce.
Virou borracha.

E o açúcar não havia mais;
Numa luta de ódio e amor
Desestabilidade e dor.
De orgulho e de máscaras.

A tua máscara cheira
Ao disfarce, à loucura,
Desespero. Quem és tu,
Para me apontar o dedo?

Julgar ficou para Deus!
Somente.


"E não julgueis
para que não sejais
duramente julgado".




Cristiano Jerônimo (21.10.2016)

domingo, 16 de outubro de 2016

Humanismo

Eu não sou mais
quem eu era
E continuo eu
A viver entre as feras
Como Prometeu.

Humanismo livre
Eu continuo eu
Subindo declives
Buscando o que é meu.

Não há antes,
Presente do futuro.
Pulo logo o muro
E vou adiante.

Nada adianta
Passado o susto,
Tentar relembrar
Que não foi justo.




(Cristiano Jerônimo)

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

<<< Ante >>>


Nada mais, tanta adrenalina
De um excelente novo amor,
No tremer da tola juventude,
Uma grande vontade de ver.

A gente é feliz! A gente que estraga...
A gente é feliz! Vez por outra acaba...

Tudo o mais, motor à gasolina,
Escapes roncos e essa menina
Linda, viçando no cavalo em pelo.
Ela faz jus a ser mesmo nordestina.

Quem vem a galope na beira do mar,
Sente a crina do cavalo, a gente o ventar.
As carruagens peregrinas vão sumindo,
Os ciganos vão embora para andar...

Os signos da sensação mais vibratória
Dos gozos que fazem a nossa história
São tão poucos ante o mar pra navegar,
Ante aquilo que não paramos de almejar.

A gente é feliz! A gente que estraga...
A gente é feliz! Vez por outra acaba...





(Cristiano Jerônimo)

sábado, 8 de outubro de 2016

Primeira vez

Entre em mim descalça e na espuma
Penetre na minha alma o teu belo cio
Preencha, com calma, todo o vazio
Me enfeite com o cão sem plumas.

Deitados, estrelados, ecoando nesse mar
Abraçados, beijados pela areia da praia
Sem ver ninguém aqui nem outro lugar
A lua observa pela sua clara luz que raia.

Estamos no maior de todos os êxtases
Nosso farol de neblina está apagado
A luz alta, a luz baixa, luzes por meses
Até nos contorcermos paralisados...

E nos reconhecermos pela primeira vez.




(Cristiano Jerônimo)

  

Aguerridas e bélicas

Venha entrar Na minha música. Venha provar Da minha poesia, Pra ver o novo dia. Vamos dar as mãos Como crianças Rodar...