terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Dos automóveis ( capítulo 9)


Quando se viu, estava ilhado. Mas era em Santo Aleixo, pequena porção de terra cercada de águas do mar por todos os lados no litoral sul pernambucano. Carlos Alexandre havia, então, internalizado o sentimento de que quem se assombra no caminho deve, depois, se conhecer de verdade, para em seguida ter a liberdade de pensar nos clássicos esporros que Jesus dava em seus apóstolos:
- Homens de pouca fé! – Bradava, puxando por eles.
- Agora que eu sei é melhor... -, balbuciava Nica.
- É pior! – retrucou Sansara, sempre pronta para puxar-nos pelos braços para baixo (aff).
Era o peso de saber que tudo estava em suas mãos, que mais parecia exima-lo das próprias culpas, mas não das responsabilidades. Detonar tudo era sempre, aparentemente, mais fácil.
- É difícil!
- Nada. É muito fácil.
Conviver com decisões importantes requer, no minimamente bom senso e análise macro espacial. As leis, as religiões, os governos, os sistemas, os dogmas, os Dogmen.
- Mas os dobermans assaltaram uma agência bancária, renderam os vigilantes, e depois levaram o dinheiro para os seus donos.
- Foi Hitler quem inventou o Fusca!
- E Itamar quem reeditou – Gritou outro “doido”.
Os surtos dos ilhéus escondiam, às vezes, de Alex, os seus próprios surtos. Naquele momento, era como se tudo fosse um “transe”, já apontaria Robson Pinheiro (também autor de Tambores de Angola).
- Os gordinis, Aero Willys, Mavericks e Opalas são carros que muito mais me atraem do que os Sinka Chambord.
Manoel estava no tempo do Japão: Toyota, Honda, Suzuki, Mitsubishi, Toshiba e KKKKKK. Pietros era mais alma de índio, preferia ser pedestre brasileiro, ao passo que Fábio pensava bem Tio Sam (GM, Ford, Halley Davidson). Abimael, Alemanha: Wolkswagem, Audi e as grandes impressoras da história. Do Marrocos? E eu sei? Sei que na China e na antiga URSS (back in) a brincadeira do capitalismo ainda andava muito amadora e não era competitivo ante o padrão de qualidade por nós, consumistas, requerido.

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