sexta-feira, 14 de abril de 2017

Confeito do Santo Amarão

Não sei mais se corro da polícia ou do ladrão.
O Estado garante o discurso para a população.
Sinto efeitos, ouço “quem são eles?”.
“Quem eles pensam que são?”.

Porque a bala é de borracha, mas mata.
Sob o comando de qualquer tirano.
Que se esconde atrás de uma farda
E não entende nosso direito de lutar.

A bala foi mirada no sexo do rapaz,
Que levou tapa na cara depois de ferido.
Seria tudo muito corriqueiro e em paz,
Mas a revolta da família e amigos reunidos.

A banda podre entra nos becos das comunidades
Desde quando eram veraneios, preto e branco;
Fuscas com uma sirene ligada em plena operação.
A padaria, que era boa, dava lanche aos soldados.
Que matam quem querem com munição do Estado.

Aliás, pra que servem os soldados formados pra morte?
O que os investimentos no espaço resolvem de concreto?
Quanto custa – todos têm que ter – uma ogiva nuclear?
Qual o segredo da realidade que habita em nossa mente?





(Cristiano Jerônimo)

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