quinta-feira, 28 de maio de 2026

detergente de morango

 


não tem mais poema

dois versos se foram

o pasto secou e doeu

o gado malhado morreu

e não foi de sede

ou de fome

senhoras e jovens

homens da zona rural

escutaram à noite

Trovões do fogo do dia

se a noite lá no mato

é mais cedo e vaga

a aludida tecnologia

traz a sensação

de que a pessoa

vive trancada

numa prisão

chamada consumo

propaganda fatal

coelhinho cruel e o caralho

coisa de gente que bebe ypê

toma até querosene podre

imagine detergente de morango.

 

 (cristiano jerônimo - 28.05.2026)

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