segunda-feira, 2 de junho de 2025

A menina

 


Alô, alô Betina, a estrela Martinelli, Pretinha e Adriana

O céu de julho volta logo, na próxima semana

Fala aí, Janaína; a Andréa não voltará da Europa

Alô Joana, em Olinda há ainda mais nove ciganas

Na sacada da Sé da Bahia e na Sé de São Paulo

No interior da Paraíba existe pés de dinossauros

Na Rua da Aurora, a noite é uma menina que goza

A Paulista tem um túnel e há vida fecunda sob ela

Com quatro graus, o frio no bico do peito da velha donzela

A menina correu tocando violino e voou com o menino

Não há espera!



(Cristiano Jerônimo - 02.06.2025)

domingo, 1 de junho de 2025

Andar descalça


Para Cátia B

Tu gostas da liberdade

Ela é muito, muito mais

Porque não deixas fluir?

Porque não deixas mostrar?

Que o mundo muda sempre

O mundo sempre vai mudar.

 

Agora ali, lá por dentro,

Encorajas a ti mesmo

Porque lá se reconstrói

O forte da sua segurança

Com ele, tu fostes criança

Sem relativizar tua dor e amor.

 

Entendas o que é eterno

E o que no outro dia acaba

Responsabilidade de todos

Nosso usufruto vitalício

As virtudes e os vícios tragam

E completam novos auspícios.

 

As adversidades da vida

São como aquelas feridas

Que vêm e que passam

Pois não é todo dia

Que se brinca no chão

Nem que se pode, à toa,

Andar descalça ao mar

Olhando o voo do avião.

 

(Cristiano Jerônimo – 01.06.2025)

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Antídoto de solidão

 


não sei...

gostaria...

 

se fui

ou voltei...

 

só posso

falar de mim...

 

não sei...

 

parece

incógnita

sem prece

sem fé...

 

a ciência

não explica

magnetismo

entre seres...

 

nas coisas...

nas pessoas...

a mentira

a inveja

envenenam

o presente

o futuro...

e as eras...

 

 

(Cristiano Jerônimo – 30.05.2025)

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Buracos negros e vestidos pretos



*Cristiano Jerônimo

 

Nunca estaremos preparados para aventuras ou investimentos cujos riscos se façam presentes e dominantes. Muito porque somos ensinados historicamente a calcular esses riscos. Ainda por cima, quando somos animais ariscos, indefesos e equivocadamente livres. Não suportamos falta nem excesso, muito menos o equilíbrio. Então inventaram o papel, a escravidão e o automóvel. Após a roda, essas são facilidades vendidas pelas dificuldades que criamos. Nada que nos leve para longe de nós mesmos, quando a gente é o motivo de toda a inquietação que gela e esquenta o peito. As nossas dicotomias e contradições. O medo que o valente sente e não revela. O cliente de um mundo que só acontece e só existe na outra ponta do invisível. Aquilo que sonhamos e não é nosso. Tudo o que queremos e não sabemos por que desejamos. De um polo a outro, do positivo ao negativo, o ser humano procura estabilidade num mundo relativo e num universo em expansão, que – além de não parar – suga a matéria em ralos de buracos negros absurdos. Foi perguntado à mulher de preto: o que é um dia diante da eternidade do tempo?

 

(29.05.2025)

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Terceira pessoa



Protetor, antes de ir para o sol

Protetor, no Cristo Redentor

Uma vida inteira sob o Protetor

Para tanto belo e tanta tralha

Numa parte do Rio falta amor

Noutra sobra e uma gata malha

Praia, pólvora e os seus biquínis

A Asa Delta da Godiva do Irajá

Morros brancos da mazela latina

O veneno que se manda para cá

A América Central para traficar

Negociar sonhos e mudar perfis

Nem todos os céus são tão anis

Com o reverso pra sair do furacão

Ser a terceira pessoa de si mesmo

Um tipo novo de amor no coração

A vitória diária do vinho e do pão

Impede que a estrada seja a esmo

E que não haja caminhos a avançar

Para construir vida fora das bolhas

E não sermos sempre os mesmos.

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 26.05.2025)

quinta-feira, 22 de maio de 2025

A mágica de se encantar



Janelas fechadas abertas

Portas trancadas sem chave

Vento que entra nas frestas

Leva a solidão que não cabe

Muro quebrado sem pedras

Praias de águas nas areias

Represados rios que vieram

Açudes parados que foram

Flores abertas que abriram

Companhias eternas partiram

Ausentes lembranças ficaram

Rodovias sem vias de acesso

Estradas de barro com aviões

Flechas gostosas nos corações

Amor ausente que se espalha

O presente do passado falha

O olhar absurdo do estranho

E a boa mágica de se encantar.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 22.05.2025)

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Ela não zarpa sozinha



Eu vi você

E era chuva

Num dia de sol

Eu vi você

E era sol

Num dia de chuva. 

 

Resfriava

Molhava

E chovia.

 

Aguçava

Nadava

E corria.

 

Sobre as águas

Alagadas

Num farol

Que ardia.

 

Em cima do mar

Eu quis um anzol

Para pescar uma janela.

 

Aquecendo

Minha alma

A acalentar

A caravela

Que não zarpa

Sozinha.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 19.05.2025)

sábado, 17 de maio de 2025

Pelo simples sorrir...


Eu fiz um laço no vento

Mandei voar pra você

Havia um sentimento

O qual não dava pra ver.


Levei a água na mão

Para entregar a você

Desenhei um coração

Na areia veio a chover.

 

Nada que pego é real

Se não vejo se enxerga

Com os olhos da alma

O mundo é imaterial.

 

Feito das vibrações

Átomos indivisíveis

Elétrons, prótons

Nêutrons, corações.

 

Quero pegar o seu riso

Saber o que há no olhar

Tocar na curiosidade

Do rio doce do mar.

 

As coisas impalpáveis

Os desafios de existir

Ser feliz no outro dia

Pelo simples, o sorrir...

 

 

(Cristiano Jerônimo – 16.05.2025)

sábado, 10 de maio de 2025

Numa tarde...


Para Cátia B., com muita afeição.
 

Eu quero beijar sua coragem,

Vermelha!

Fazer no seu corpo uma viagem,

De abelha!

 

Do teu cheiro do mel

Com seu ar pueril

Com a nossa inocência

A loção da tua essência

No florar do mês de abril.

 

Vejo além do meu desejo,

Um beijo!

E na distância que habita,

Um laço frágil de chita!

 

Um laço de chita que se abre

Um coração que não se fecha

Uma caminhada na floresta

Um mergulho frio no riacho.

 

Eu posso ser uma fogueira,

Que esquenta!

E que arde...

Como ser que não invade

Quando tudo incendeia

Na veia

Que seja somente numa tarde.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 10.05.2025)

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Represa de acumular



Ela era o que eu queria

O dia, o dia

Tudo o que eu preferia

O dia, magia, um dia

Era melhor não encontrar

À noite, na noite

O açoite

Verbo desamar.

 

Mas amo o engano

Falamos sem escutar

Um dia, um dia

Seremos serenos

Nem rio nem mar

Nem uma represa

De acumular.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 07052025)

 

Roda das mudanças ciclotímicas



Os fantasmas do passado

Já morreram

Agora, ficaram para trás

Os dilemas do futuro

Aguardaram

E uma roda ciclotímica

Estabeleceu-se

Estabilizou-se

Na relatividade

Do movimento

Uniforme

Que rege o tempo

E que sara as feridas

Trazendo sempre algo novo

Às nossas vidas.

 

(Cristiano Jerônimo – 07.05.2025)

Eu sou Sertão

Sou sertanejo Uma espécie cactácea em extinção Dou as flores mais formosas Tenho frutos para os pássaros E os espinhos para nossa proteção. ...